POESIA AO AMANHECER – 131 – por Manuel Simões

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FRANCISCO DE SÁ (DE MIRANDA)

Esparsa

Serra a serpente os ouvidos

à voz do encantador:

eu não, e agora com dor

quero perder os sentidos.

Os que mais sabem do mar

fogem d’ouvir as sereias:

eu não me soube guardar,

fui vos ouvir nomear,

fiz minh’alma e vida alheias.

A “esparsa” é uma forma poética pertencente ao grupo das “trovas”, em geral mais curta e composta por uma única estrofe. O assunto continua a ser lírico-amoroso e o núcleo é aqui representado pela sedução. Das três relações justapostas – as que opõem a serpente ao encantador, o marinheiro à sereia, o amador à amada – note-se a divergência final de situações inicialmente paralelas.

Glossário: “fiz…alheias”: perdi.

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