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SALAZAR E A I REPÚBLICA – 11– por José Brandão

Num estilo muito pessoal, a palestra do Liceu Alves Martins constitui a continuação dos artigos de A Folha e o desenvolvimento em prosa do Hino à Bandeira.

Salazar mostrava dotes que suscitavam cada vez mais elogios.

A par com a sua ascensão progredia no terreno a propaganda republicana.

Durante esses anos que antecederam a implantação da República, nas salas do país e perante o olhar desconfiado das autoridades e das hostes monárquicas, pequenos encontros e reuniões semi-clandestinas onde inflamadamente se falava dos grandes ideais democráticos e onde se rejubilaria por este ou aquele sucesso republicano, ou pela grande tirada parlamentar de Afonso Costa, ao mesmo tempo que se criticavam e juravam desforras aos cabecilhas monárquicos locais.

O governo de João Franco e a sua Ditadura deixara as fileiras monárquicas em desorientação total.

Os grandes partidos do constitucionalismo monárquico procuraram manter-se a uma certa distância de João Franco, com Hintze Ribeiro, a falar nestes termos:

«Ninguém é mais monárquico do que eu, mas quero a Monarquia aliada à Liberdade e não ao Absolutismo.

É assim que eu sou monárquico.

Mais um ano deste Governo e Portugal tornar-se-á republicano.»

Aproveitando e explorando a confusão dos chefes políticos monárquicos, os republicanos, pela voz de António José de Almeida, traçavam esta caricatura do governo franquista:

«Bendita seja a revolta.

O presidente do Conselho, João Franco, é um tirano de terceira classe, com bónus em viagem de ida e volta.

É um Nero vestido de brim.

Assim como quem diz marquês de Pombal fazendo ditadura numa barraca de feira de Belém.

Quem escolheu ele para o auxiliar?

Homens que toda a gente desconhecia, nomes que não tinham nome.

O seu ministro da Guerra é um Napoleão de sacristia;

O seu ministro dos Estrangeiros é uma espécie de João das Regras conservado em vinha-d’alhos;

O seu ministro da Marinha é uma das onze virgens de praça assente na náutica dos nossos mares.»

No país via-se claramente a República a chegar.

A poucos meses da revolução republicana de 5 de Outubro de 1910 A Folha afirmava que o avanço dos republicanos era cada vez mais real. Nesse sentido, atestou que não terá sido surpresa os editoriais escritos no fim de Maio de 1909 que descreviam a corrida ao armamento por parte dos republicanos, perante, mais uma vez, a inércia do Governo, uma dupla situação que preocupava, de sobremaneira, os nacionalistas. Era cada vez mais uma relação de ódio, aquela que os católicos mantinham com os republicanos e os sucessivos acontecimentos apenas ajudavam a deteriorar-se cada vez mais. De certa forma, para o jornal, Afonso Costa representava o «anti-Cristo». As críticas que eram feitas aos republicanos também lhe eram dirigidas, porque ele era visto como o seu chefe máximo.

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