
Circulou por aí um vídeo em que o rosto de Salazar se vai aos poucos convertendo na face de Passos Coelho. De facto, o primeiro-ministro tem vindo a adoptar uma pose salazarenta – os óculos, o tom ponderado de quem tem o monopólio da sensatez e espalha pérolas de sabedoria entre uma cambada de atrasados mentais.
Só na pose se pode estabelecer a comparação. O QI de Passos Coelho deve estar uns pontos abaixo. Salazar era tacanho, mas não era estúpido. Pode também estabelecer-se um certo paralelismo na maneira como enfrentam o mostrengo, ou seja, o conjunto de forças, argumentos, vontades, que lhes são contrárias. Este governo não se demite. Passos Coelho assume também a posição que Pessoa atribui ao homem do leme. Está amarrado à maldita roda e não a larga nem por mais uma.
Ontem, a greve geral, diga-se o que se disser, foi um êxito. Não sendo de modo algum decisiva, veio aumentar o clamor que de todos os quadrantes do espectro político (incluindo o próprio PSD), reclamam a demissão deste governo que nem aos seus donos agrada. Está a matar a galinha dos ovos de ouro. Se destroi o tecido produtivo, se coloca a maioria dos portugueses em situação de pobreza, se desse modo, o mercado interno deixa de funcionar, o que vai ser dos bancos e das grandes empresas?
Mas o Pedro, olhando por cima dos óculos, como fazia o António, teima – manda a vontade que o ata ao leme, a vontade da troika e da senhora dona Angela. Mas até estes parecem não estar contentes. Provavelmente só os militares poderão resolver a questão e oxalá a resolvam bem.
