
E continuou a ironizar sobre o silêncio: “Até aqui, boa parte dos portugueses pensava que o Presidente da República estava a meditar, a reflectir sobre a próxima visita a Portugal da senhora já bem conhecida de todos, amada por muitos, a que carinhosamente os portugueses chamam de troika, outros estariam a pensar que o Presidente da República estava a refletir sobre se o aumento de impostos era enorme ou gigantesco, outros pensariam que o Presidente da República estava a reflectir sobre os novos apoios que a chanceler Merkel podia trazer para Portugal na sua próxima visita ao país e outros poderiam estar a pensar que o Presidente da República estava a refletir sobre o que fazer relativamente às pressões de vinte corporações e mais de cem individualidades para que ele enviasse o Orçamento do Estado para o Tribunal Constitucional”, (…) “Outros estariam a pensar que o Presidente estaria a reflectir sobre o consenso político que foi possível estabelecer entre as forças políticas do arco da governação sobre a forma de realizar a reforma das funções do Estado, outros podiam estar ainda a pensar que o Presidente estava a reflectir sobre se a transmissão televisiva dos jogos de futebol em canal aberto fazia ou não parte da definição de serviço público de televisão, mas agora, depois de ter quebrado o meu silêncio, os portugueses dirão que afinal ele estava apenas a reflectir sobre a forma de evitar a sua presença na cerimónia de atribuição dos prémios».
O presidente esqueceu-se de referir os portugueses que interpretam o seu silêncio como um apoio tácito a um governo desastroso que está a destruir o que ainda restava do tecido produtivo do pais, e a lançar centenas de milhares de pessoas no desespero da miséria. O presidente pode estar tranquilo quanto a um aspecto – há muitos portugueses que não o acusam de estar a reflectir – sabem que ele seria incapaz de uma coisa dessas.
Quem não tem dúvidas e raramente se engana, para que necessita de reflexão?
