
Enquanto as fronteiras, a história, a cultura, o idioma, constituírem factores relevantes, cada povo deve viver em soberania plena. As fronteiras devem deixar de existir – de acordo. A única raça que existe no planeta é a humana – de acordo. Uma única nação de gente livre, se possível com um idioma comum, é um objectivo belo e pelo qual merece a pena lutar. Mas confundir esse internacionalismo com o amalgamar de nacionalidades, com a prevalência de uma sobre outras, é um sofisma tão desprezível como o dos ricos poderosos elogiarem a pobreza e a ignorância.
Os catalães têm o direito à independência. Mas têm de se entender entre si. Os resultados das eleições de ontem criam uma situação complicada. Artur Mas, presidente da Generalitat, tendo perdido 12 mandatos dos 62 que tinha no parlamento anterior, vai ter de, muito rapidamente, negociar, estabelecer acordos. Um dos factores positivos é o de a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), que apoia a consulta sobre a independência, mais do que ter duplicado o grupo parlamentar, passando de 10 para 20 deputados. A Iniciativa Catalunha Verdes (ICV -EUiA) — cresceu de 10 para 13 deputados O Ciutadans triplicou a representação, de três para nove. Ainda a favor da consulta há uma nova voz, a dos estreantes Candidatura de Unidade Popular (CUP), com três deputados.. Será que Mas procurará construir uma maioria com estas formações? A democracia representativa obedece a regras que em determinadas situações se convertem em obstáculos antidemocráticos. Os catalães em geral, independentemente das suas convicções políticas, são gente orgulhosa da sua cultura, da sua história e do seu idioma. Mas estão reféns de um sistema que os pode impedir de ser independentes. Tal como a ditadura franquista, as «regras do jogo democrático» podem, se não impedir, pelo menos adiar, o exercício do direito de serem os catalães a decidir sobre os destinos da Catalunha.
