por Rui Oliveira
Como temos vindo a antecipar, na Segunda-feira 24 de Dezembro o mundo lá continuou a sua rota … mas neste dia não destacamos nenhum acontecimento cultural de interesse.
Estando mesmo as salas de exposição encerradas pela coincidência do feriado com a habitual Segunda “de folga”, resta-nos o cinema para não deixar a página em branco.
Um, em exibição há semanas, é “Amour” do também não muito produtivo Michael Haneke, onde Emmanuelle Riva (do Hiroshima, mon Amour), Jean-Louis Trintignant (de Ma Nuit chez Maude) e mesmo Isabelle Huppert (generosamente secundária) têm interpretações fascinantes. O rigor da realização é impressionante (Haneke diz que “planeia cada plano em casa, numa maqueta, e sei assim quando e onde vou colocar a câmara”) e o acto mais violento (“é o extremo amor ou o derradeiro cansaço?” perguntarão todos os espectadores) é um remate aceitável (diria quase libertador) para a exposição da decadência (física e psíquica) que o cinema raramente retrata. A ver urgentemente … quem não viu.
Esta nova versão do trailer lembra melhor o papel que a música (ou a ausência dela) tem como fio condutor da acção no filme :
Abstraiamos agora da polémica (que só o visionamento esclarecerá) se o restauro operado na cópia original em 1996 passando-a a digital “atraiçoa” a essência do filme (há realizadores como Tarantino e outros que o consideram), para reflectir sobre esta possível oposição entre filmes “eminentemente cinematográficos” como este, o 8 ½ de Fellini ou A Máscara de Bergman e outros mais literários, teatrais, tipo Citizen Kane (como assinala bem o crítico V.C. in Ípsilon).
Com interpretações também notáveis de James Stewart e Kim Novak, a essência da intriga está bem reflectida (e até descrita) num trailer «dos bons e velhos tempos» como este :
Reveja-se, por último (como bónus) a célebre e decisiva sequência da torre da igreja :
(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Sábado aqui )


