Pentacórdio para Segunda 24 de Dezembro

por Rui Oliveira

 

 

   Como temos vindo a antecipar, na Segunda-feira 24 de Dezembro o mundo lá continuou a sua rota … mas neste dia não destacamos nenhum acontecimento cultural de interesse.

   Estando mesmo as salas de exposição encerradas pela coincidência do feriado com a habitual Segunda “de folga”, resta-nos o cinema para não deixar a página em branco.

 

Jean-Louis-Trintignant-and-Emmanuelle-Riva-AMour-first-look   Dois filmes, em particular, reunem a quase unanimidade da crítica (deixemos por ora de lado o recém-estreado “Holy Motors”  do há muito “adormecido” Leos Carax, que em breve veremos para o comentar).

   Um, em exibição há semanas, é “Amour” do também não muito produtivo Michael Haneke, onde Emmanuelle Riva (do Hiroshima, mon Amour), Jean-Louis Trintignant (de Ma Nuit chez Maude) e mesmo Isabelle Huppert (generosamente secundária) têm interpretações fascinantes. O rigor da realização é impressionante (Haneke diz que “planeia cada plano em casa, numa maqueta, e sei assim quando e onde vou colocar a câmara”) e o acto mais violento (“é o extremo amor ou o derradeiro cansaço?” perguntarão todos os espectadores) é um remate aceitável (diria quase libertador) para a exposição da decadência (física e psíquica) que o cinema raramente retrata. A ver urgentemente … quem não viu.

   Esta nova versão do trailer lembra melhor o papel que a música (ou a ausência dela) tem como fio condutor da acção no filme :

 

 

Vertigo 1   O outro filme é “Vertigo –A Mulher que Viveu Duas Vezes”, realizado por Alfred Hitchcock em 1958, de novo desde há poucos dias nos ecrãs, quiçá por ter “destronado”, após cinco décadas de liderança, “O Mundo a Seus Pés (Citizen Kane)” (1941) de Orson Welles como «o melhor filme de todos os tempos» na votação que a britânica Sight and Sound faz todos os dez anos.

   Abstraiamos agora da polémica (que só o visionamento esclarecerá) se o restauro operado na cópia original em 1996 passando-a a digital “atraiçoa” a essência do filme (há realizadores como Tarantino e outros que o consideram), para reflectir sobre esta possível oposição entre filmes “eminentemente cinematográficos” como este, o 8 ½ de Fellini ou A Máscara de Bergman e outros mais literários, teatrais, tipo Citizen Kane (como assinala bem o crítico V.C. in Ípsilon).

   Com interpretações também notáveis de James Stewart e Kim Novak, a essência da intriga está bem reflectida (e até descrita) num trailer «dos bons e velhos tempos» como este :

 

   Reveja-se, por último (como bónus) a célebre e decisiva sequência da torre da igreja :

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Sábado aqui )

 

 

 

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