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POESIA AO AMANHECER – 111 – por Manuel Simões

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MENDINHO

(séc. XIII)

Sedia-m’eu na ermida de Sam Simiom

e cercarom-mi as ondas, que grandes som:

eu atendend’o meu amigo!

eu atendend’o meu amigo!

Estando na ermida ant’o altar,

cercarom-mi as ondas grandes do mar:

eu atendend’o meu amigo!

eu atendend’o meu amigo!

E cercarom-mi as ondas, que grandes som,

non ei (i) barqueiro, nem remador:

eu atendend’o meu amigo!

eu atendend’o meu amigo!

E cercarom-mi as ondas do alto mar,

nom ei (i) barqueiro, nem sei remar:

eu atendend’o meu amigo!

eu atendend’o meu amigo!

Nom ei  i barqueiro, nem remador,

morrerei (eu) fremosa no mar maior:

eu atendend’o meu amigo!

eu atendend’o meu amigo!

Nom ei  (i) barqueiro, nem sei remar

morrerei eu fremosa no alto mar:

eu atendend’o meu amigo!

eu atendend’o meu amigo!

Jogral galego, século XIII (primeiro terço?). O movimento ascendente dos seis dísticos paralelísticos traduz o movimento do mar que sobe em torno da donzela, à espera do seu amigo. Desta cantiga foi feita uma versão moderna por Natália Correia, depois cantada por Amália.

Glossário: “sedia-m’eu”: sentava-me, estava eu;” Sam Simiom”: S. Simon, na ilha do mesmo nome, em frente de Vigo; “fremosa”: formosa.

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