
MENDINHO
(séc. XIII)
Sedia-m’eu na ermida de Sam Simiom
e cercarom-mi as ondas, que grandes som:
eu atendend’o meu amigo!
eu atendend’o meu amigo!
Estando na ermida ant’o altar,
cercarom-mi as ondas grandes do mar:
eu atendend’o meu amigo!
eu atendend’o meu amigo!
E cercarom-mi as ondas, que grandes som,
non ei (i) barqueiro, nem remador:
eu atendend’o meu amigo!
eu atendend’o meu amigo!
E cercarom-mi as ondas do alto mar,
nom ei (i) barqueiro, nem sei remar:
eu atendend’o meu amigo!
eu atendend’o meu amigo!
Nom ei i barqueiro, nem remador,
morrerei (eu) fremosa no mar maior:
eu atendend’o meu amigo!
eu atendend’o meu amigo!
Nom ei (i) barqueiro, nem sei remar
morrerei eu fremosa no alto mar:
eu atendend’o meu amigo!
eu atendend’o meu amigo!
Jogral galego, século XIII (primeiro terço?). O movimento ascendente dos seis dísticos paralelísticos traduz o movimento do mar que sobe em torno da donzela, à espera do seu amigo. Desta cantiga foi feita uma versão moderna por Natália Correia, depois cantada por Amália.
Glossário: “sedia-m’eu”: sentava-me, estava eu;” Sam Simiom”: S. Simon, na ilha do mesmo nome, em frente de Vigo; “fremosa”: formosa.
