A QUINTA DO PÁTIO DE ÁGUA, por José Bastos

Entrada principal da quinta pela avenida dos pescadores
Entrada principal da quinta pela avenida dos pescadores

A quinta do Pátio de Água ficava situada no centro da Vila de Aldeia Galega, hoje cidade  de Montijo, na Avenida de Santo António que mudou de nome várias vezes, pois já se chamou António José de Almeida, Nuno Álvares Pereira e à volta de cinquenta anos foi baptizada com o nome que hoje tem: Avenida dos Pescadores de uma Terra que em 1930 deixou de se chamar Aldeia Galega e passou a chamar-se Montijo.

A quinta era muito antiga e como está escrito na lápide existente na ermida a sua origem remonta ao século XV, reinado de D. João III.

A lápide existente na ermida diz o seguinte:

Esta igreja mandou Edificar Duarte  Roiz Pimentel Fidalgo da casa de El-rei d. João o 3º chefe dos pimenteis deste reino como 2º neto de Rodrigo Afonso Pimentel e de sua mulher D. Inês Vasques de Melo, filha de Martim Afonso de Melo Alcaide Mór de Évora e Santarém e irmão de João Afonso Pimentel senhor de Bragança e cunhado da rainha D. Leonor mulher de El-rei D. Fernando e primeiro conde de Benavente e grande No de Espanha 8.ºs netos por Veronia de El Rei Ramiro de Leão, cujos ossos de seus ilustres ascendentes que estavam no carneiro da capela mór mandou pôr nesta igreja e no ano de 1744,mandando-a acrescentar e reformar seu 4º neto Francisco de Novais Quesado Pimentel de Faria e Cerveira, fidalgo da Casa Real de sua majestade comendador da Ordem de N. Senhor Jesus Cristo e Senhor de S. João da Ribeira seu sucessor. Esta igreja se arruinou e caiu no ano de 1789 A mandou reedificar seu 6º neto, Simão Neto Pereira Pato de Novais Pimentel, cavaleiro professo na Ordem de Cristo.

Acrescentada pela seguinte informação:

Esta ermida, que esteve interdita, mais de um século, foi mandada reconstruir de 1940 a 1953, por A. Santos Fernandes oficial da armada.

Esta quinta nos primeiros séculos da sua existência tinha uma área bastante grande e segundo os registos da época tinha casas, marinhas, pinhais, um pomar de laranjeiras e um moinho de seis engenhos.

Porém, quando conheci a quinta, na primeira metade do século XX, esta estava reduzida a uma área de pouco mais que um hectare, com uma casa, uma ermida, edifícios que serviam de vacaria e um pomar de laranjeiras.

Em 1919, António Santos Fernandes, então proprietário da quinta, encomendou ao jovem arquitecto Porfírio Pardal Monteiro a  elaboração de um projecto estilo (casa  portuguesa) para reconstruir a habitação e a ermida. Este arquitecto viria mais tarde a projectar muitas obras para o estado. A casa foi durante dezenas anos habitação do seu proprietário em Montijo que também tinha casa em Lisboa.

Quando chegou a revolução em 1974, a casa estava devoluta por ter falecido já muito velho (96 anos), António Santos Fernandes, os filhos para que a casa não fosse ocupada, cederam-na por empréstimo à Santa Casa da Misericórdia de Montijo, para ali instalar os idosos do Lar de S. José, enquanto não fosse construído um novo lar. Nessa altura os idosos estavam instalados na Rua José Joaquim Marques, onde depois esteve a Cercima.

Os herdeiros venderam a quinta a um promotor imobiliário que apresentou na Câmara de Montijo, no fim do século XX, um projecto de urbanização para habitação e comércio que foi aprovado, com a condição da casa e da ermida ficarem propriedade da Câmara.

Entretanto, foi construído um novo lar para os idosos da Santa Casa da Misericórdia e o prédio foi entregue à Câmara.

Os edifícios chegaram à posse da Câmara muito degradados. Foram feitos projectos para restauração dos edifícios e a obra que teve a comparticipação dos fundos comunitários foi inaugurada em 2005.

Durante as obras do edifício da ermida, a escavação arqueológica, permitiu identificar onze enterramentos e um ossário. Foram apenas exumados seis enterramentos e um ossário. As ossadas exumadas correspondem a um feto, quatro crianças e um adulto do sexo masculino.

O edifício que é um imóvel de interesse público, serve actualmente para sede da Junta de Freguesia de Montijo e para serviços da Câmara.

   Traseira da casa iluminada

Ermida de Santo António
Ermida de Santo António
Traseira da casa iluminada  

1 Comment

  1. O Comandante António dos Santos Fernandes, meu avô paterno, morreu em 1973, pouco antes de celebrar o seu 100º aniversário.
    A partir dos 95 anos, apo´s uma pneumonia, comelçou a ficar gradualmente mais debilitado, e gradualmente acamado até à sua morte.
    Manteve total lucidez até ao 96 anos.
    Era uma pessoa invulgar, duma calma, serenidade, rigor e sensatez absolutamente fora do comum.
    Deveria ser sobredotado, pois fez o curso dos liceus em apenas 3 anos, ingressando na Escola Naval com uma licença especial por não idade. Por esse motivo não lhe foi permitido acesso ao curso de marinha (combatente), tendo concluido o curso de administração naval (equivalente a economia), e de seguida fez o curso de marinha, facto inédito para um oficial da Armada: ter os dois cursos.
    Teve uma carreira notável na Armada, e fora dela como grande homem de negócios.

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