O MONTE DA QUINTA DO SALDANHA É UM VALIOSO PATRIMÓNIO HISTÓRICO DO MONTIJO, por José Bastos

Átrio da Quinta do Saldanha
Átrio da Quinta do Saldanha
Ermida da Senhora dos Aflitos
Ermida da Senhora dos Aflitos

A quinta do Saldanha que foi urbanizada nos anos oitenta do século passado, fazia parte da memória colectiva dos Montijenses.

Situada mesmo junto à cidade de Montijo, na estrada que segue para o Samouco, esta quinta que pertenceu durante séculos à família Saldanha da Gama e fazia parte do morgadio de António Gama, o velho, tinha uma área de 18 hectares, era toda murada e tinha um monte com um prédio de 1º andar, vacaria, casa do caseiro, cocheiras , casas para os trabalhadores, adegas e uma horta com um poço de nora, um grande tanque e um pomar de laranjeiras.

O átrio da quinta que era público, tinha um ermida (O Senhor dos Aflitos), tinha três palmeiras, duas olaias, pimenteiras e choupos.

O Senhor dos Aflitos, o cristo da ermida,, é uma peça muito valiosa em marfim com 1,10 m de altura com uma cruz em madeira preciosa. Por segurança, hoje o cristo está guardado no cofre de uma entidade bancária e só é colocado na ermida no dia de São  Marçal de manhã quando lá se deslocam os pescadores de Montijo, em romaria (a lavagem).

A população tinha uma grande devoção pelo Senhor dos Aflitos e prometiam cera e azeite se o santo os ajudasse em momentos de dificuldade.

Lembro-me da minha Mãe ter prometido uma garrafa de azeite ao Senhor dos Aflitos se eu conseguisse um emprego. Eu tinha nessa altura 11 anos.

Com a construção da Escola Industrial e Comercial de Montijo, hoje, Escola Secundária Jorge Peixinho, no final dos anos cinquenta do século passado, na parte Norte da Quinta das Postas que confrontava pelo lado Poente com a Quinta do Saldanha, logo se percebeu que o Montijo ia crescer para Poente até à estrada do Samouco e que a quinta ia mais tarde ou mais cedo  ser urbanizada e assim aconteceu nos anos oitenta, mas toda a zona do monte e do pomar passaram para a Câmara como área de cedência.

Em 1998, o monte da quinta estava num grave estado de degradação. Foram necessárias obras urgentes no prédio que ameaçava ruir e em 1999 foi feito um projecto para restauração de todo o monte da quinta e construção de um jardim com cerca de 1,5 hectares, com a comparticipação de fundos comunitários, cuja obra foi concluída em 2001, com uma grande satisfação das populações.

Os edifícios do monte da quinta servem hoje para a Universidade Sénior de Montijo, comércio de restauração, sede de escoteiros e serviços da Câmara Municipal.

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