
NUNO FERNANDES TORNEOL
(Terceiro quartel do séc. XIII)
Levad’, amigo que dormides as manhanas frias;
todalas aves do mundo d’amor diziam.
Leda mi and’eu.
Levad’, amigo que dormide-las frias manhanas;
todalas aves do mundo d’amor cantavam.
Leda m’and’eu.
Todalas aves do mundo d’amor diziam:
do meu amor e do voss’em ment’aviam.
Leda m’and’eu.
Todalas aves do mundo d’amor cantavam:
do meu amor e do voss’i enmentavam.
Leda m’and’eu.
Do meu amor e do voss’em ment’aviam;
vós lhi tolhestes os ramos em que siiam.
Leda m’and’eu.
Do meu amor e do voss’i enmentavam;
vós lhi tolhestes os ramos em que pousavam.
Leda m’and’eu.
Vós lhi tolhestes os ramos em que siiam
e lhis secastes as fontes em que beviam.
Leda m’and’eu.
Vós lhi tolhestes os ramos em que pousavam
e lhis secastes as fontes u se banhavam.
Leda m’and’eu.
Cavaleiro talvez galego, provavelmente activo na corte de Afonso X. Esta cantiga tem sido classificada como “alba”, embora não siga o modelo canónico provençal. Deve inserir-se no modelo da cantiga de amigo paralelística.
Glossário: “levade”: levantai-vos; “em ment’aviam”: tinham na mente; “i enmentavam”: recordavam (o canto); “siiam”: estavam pousadas; “u”: onde.
