POESIA AO AMANHECER – 114 – por Manuel Simões

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PERO MEOGO

(séc. XIII)

Levou-s’a louçana, levou-s’a velida:

vai lavar cabelos, na fontana fria.

           Leda dos amores, dos amores leda.

Levou-s’a velida, levou-s’a louçana:

vai lavar cabelos, na fria fontana.

          Leda dos amores, dos amores leda.

Vai lavar cabelos, na fontana fria:

passou seu amigo, que lhi bem queria.

          Leda dos amores, dos amores leda.

Vai lavar cabelos, na fria fontana:

passa seu amigo, que a muit’amava.

         Leda dos amores, dos amores leda.

Passa seu amigo, que lhi bem queria:

o cervo do monte a augua volvia.

        Leda dos amores, dos amores leda.

Passa seu amigo, que a muit’amava:

o cervo do monte volvia a augua.

        Leda dos amores, dos amores leda.

Jogral galego. A cantiga caracteriza-se pela presença da água, símbolo da fecundidade, e do cervo, símbolo da sexualidade masculina. O tema desenvolve o encontro na fonte, recorrendo aos motivos da lavagem dos cabelos e dos cervos que remexiam a água (sentido literal).

Glossário: “levou-se”: levantou-se; “velida”: bela (sinónimo de louça).

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