POESIA AO AMANHECER – 112 – por Manuel Simões

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NUNO FERNANDES TORNEOL

                        (Terceiro quartel do séc. XIII)

Levad’, amigo que dormides as manhanas frias;

todalas aves do mundo d’amor diziam.

Leda mi and’eu.

Levad’, amigo que dormide-las frias manhanas;

todalas aves do mundo d’amor cantavam.

Leda m’and’eu.

Todalas aves do mundo d’amor diziam:

do meu amor e do voss’em ment’aviam.

Leda m’and’eu.

Todalas aves do mundo d’amor cantavam:

do meu amor e do voss’i enmentavam.

Leda m’and’eu.

Do meu amor e do voss’em ment’aviam;

vós lhi tolhestes os ramos em que siiam.

Leda m’and’eu.

Do meu amor e do voss’i enmentavam;

vós lhi tolhestes os ramos em que pousavam.

Leda m’and’eu.

Vós lhi tolhestes os ramos em que siiam

e lhis secastes as fontes em que beviam.

Leda m’and’eu.

Vós lhi tolhestes os ramos em que pousavam

e lhis secastes as fontes u se banhavam.

Leda m’and’eu.

Cavaleiro talvez galego, provavelmente activo na corte de Afonso X. Esta cantiga tem sido classificada como “alba”, embora não siga o modelo canónico provençal. Deve inserir-se no modelo da cantiga de amigo paralelística.

Glossário: “levade”: levantai-vos; “em ment’aviam”: tinham na mente; “i enmentavam”: recordavam (o canto); “siiam”: estavam pousadas; “u”: onde.

 

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