
ESPANHA, EXISTE?
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ESPANHA, EXISTE?
Para a opinião pública portuguesa, a problemática ligada às questões das nacionalidades submetidas a Madrid, é um assunto menor. A versão oficial – os nacionalismos, são reivindicações de minorias intelectuais – passa como ouro de lei. Mas não é verdade – na Catalunha, por exemplo, o espanholismo é que será defendido por minorias. Gente que põe os negócios acima de todos e quaisquer ideais. O patriotismo da maioria dos catalães, de muitos galegos e bascos, não pode ser posto em causa – pode ter estado abafado, mas está a reaparecer em força. Alguém, para explicar o ressurgimento de nacionalidades que parecem mortas, disse que as nações reprimidas são como os cursos de água que, sacrificados pela especulação imobiliária, têm os seus leitos ocupados por construções – quando há uma cheia, as águas recuperam o seu território e fazem-no provocando, por vezes, dramáticas inundações. Neste caso, a cheia é a crise económica.
“Existe Espanha?”, mais do que pergunta retórica, é uma pergunta provocatória, pois a existência do Estado espanhol não sofre contestação. À luz do Direito Internacional, todos o sabemos – Espanha existe. A resposta que se procura obter é se existe cumprindo a utopia dos reis católicos, correspondendo a uma Hispaniae politicamente unificada ou se cinco séculos depois, se cumpriu ou se um conjunto de nações unidas num mesmo estado e com prevalência da cultura e da língua de uma delas continua a ser um projecto de concretização duvidosa.
Há mais exemplos deste tipo de estados – um Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, hegemonizada pela Inglaterra, uma Alemanha dominada pela Prússia… Outras experiências, como a do império austro-húngaro, da União Soviética liderada pela Rússia ou a de uma Jugoslávia dirigida pela Sérvia, não resistiram muito tempo. A Checoslováquia, que reunia checos e eslovacos, com predomínio da cultura checa. A forma pacífica com a federação foi dissolvida mereceu a designação de «separação, ou divórcio, de veludo». Temos a convicção de que o Estado espanhol tal como hoje se apresenta, sob a forma arcaica de “Reino de Espanha”, tem os dias contados. A Catalunha, a Galiza, o País Basco, mais tarde ou mais cedo, sairão. Oxalá sejam «divórcios de veludo» como aconteceu na Checoslováquia e não separações conflituosas, como a da dissolução da Jugoslávia.
Vamos hoje apresentar vários artigos sobre aspectos deste problema. As posições não serão consensuais, pois é difícil haver consenso em matéria tão complexa. Porém, talvez nos ajudem a ter ideias mais claras.
