
PERO MEOGO
(séc. XIII)
Levou-s’a louçana, levou-s’a velida:
vai lavar cabelos, na fontana fria.
Leda dos amores, dos amores leda.
Levou-s’a velida, levou-s’a louçana:
vai lavar cabelos, na fria fontana.
Leda dos amores, dos amores leda.
Vai lavar cabelos, na fontana fria:
passou seu amigo, que lhi bem queria.
Leda dos amores, dos amores leda.
Vai lavar cabelos, na fria fontana:
passa seu amigo, que a muit’amava.
Leda dos amores, dos amores leda.
Passa seu amigo, que lhi bem queria:
o cervo do monte a augua volvia.
Leda dos amores, dos amores leda.
Passa seu amigo, que a muit’amava:
o cervo do monte volvia a augua.
Leda dos amores, dos amores leda.
Jogral galego. A cantiga caracteriza-se pela presença da água, símbolo da fecundidade, e do cervo, símbolo da sexualidade masculina. O tema desenvolve o encontro na fonte, recorrendo aos motivos da lavagem dos cabelos e dos cervos que remexiam a água (sentido literal).
Glossário: “levou-se”: levantou-se; “velida”: bela (sinónimo de louça).

