Com algum atraso, publicamos este comunicado da SPA – Sociedade Portuguesa de Autores – sobre o Acordo Ortográfico – como se sabe, há entre as dezenas de colaboradores deste blogue diferentes posições sobre o tema – há defensores acérrimos do Acordo, há quem o recuse liminarmente e há quem entenda que a Língua Portuguesa sobreviverá ao Acordo ou à ausência da sua aplicação. Mas a posição da SPA, afectando um universo vasto de utilizadores da língua, é importante e um rude golpe nos que consideram o Acordo Ortográfico um factor positivo de normalização do idioma e uma condição sine qua non de afirmação do universo da Lusofonia.
Assim, considera a SPA que não faz sentido dar como consensualizada a nova norma ortográfica quando o maior país do espaço lusófono (Brasil) e também Angola tomaram posições em diferente sentido. Perante esta evidência, a SPA continuará a utilizar a norma ortográfica anterior ao texto do Acordo, reafirmando a sua reprovação pela forma como este assunto de indiscutível importância cultural e política foi tratado pelo Estado Português, designadamente no período em que o Dr. Luís Amado foi ministro dos Negócios Estrangeiros e que se caracterizou por uma ausência total de contactos com as entidades que deveriam ter sido previamente ouvidas sobre esta matéria, sendo a SPA uma delas. Refira-se que também a Assembleia da República foi subalternizada no processo de debate deste assunto.
O facto de não terem sido levadas em consideração opiniões e contributos que poderiam ter aberto caminho para outro tipo de consenso, prejudicou seriamente todo este processo e deixa Portugal numa posição particularmente embaraçosa, sobretudo se confrontado com as recentes posições do Brasil e de Angola.
