SPA – SOCIEDADE PORTUGUESA DE AUTORES – não adopta o novo acordo ortográfico perante as posições do Brasil e de Angola sobre a matéria

Assim, considera a SPA que não faz sentido dar como consensualizada a nova norma ortográfica quando o maior país do espaço lusófono (Brasil) e também Angola tomaram posições em diferente sentido. Perante esta evidência, a SPA continuará a utilizar a norma ortográfica anterior ao texto do Acordo, reafirmando a sua reprovação pela forma como este assunto de indiscutível importância cultural e política foi tratado pelo Estado Português, designadamente no período em que o Dr. Luís Amado foi ministro dos Negócios Estrangeiros e que se caracterizou por uma ausência total de contactos com as entidades que deveriam ter sido previamente ouvidas sobre esta matéria, sendo a SPA uma delas. Refira-se que também a Assembleia da República foi subalternizada no processo de debate deste assunto.

O facto de não terem sido levadas em consideração opiniões e contributos que poderiam ter aberto caminho para outro tipo de consenso, prejudicou seriamente todo este processo e deixa Portugal numa posição particularmente embaraçosa, sobretudo se confrontado com as recentes posições do Brasil e de Angola.

3 Comments

  1. Seria bom que quem comenta se desse ao incómodo de ler, na totalidade, o que comenta. As razões invocadas pela SPA não se esgotam nas posições de Angola e Brasil (que, no entanto, se revelam importantes, ao desnudarem por completo o disforme corpanzil do monstrinho, já mal coberto de surrados farrapos argumentativos e legais, neste rectângulo abstrusamente desgovernado). A SPA foi uma das instituições que, quando a “coisa” começou a dar sinais de, às cavalitas de uns tantos vírus políticos desgarrados, vir a gangrenar a norma linguística portuguesa, denunciaram o abuso de terem sido mantidas à margem da gestação “acordante”, com criminoso desrespeito pela legislação aplicável. O que, agora, “reafirma” (está lá, é só ler: e, se reafirma é porque já afirmou, La Palice “dixit”…). Pelo que, a tal “pífia razão” é tão só “mais uma razão” do reforço de posição já tomada, na altura própria, bem como de uma oportuna intervenção, de que a SPA não poderia abster-se, já que as criaturas que se cumpliciaram na aplicação pressurosa e forçada do AO, mais os que se arrebanharam atrás dos retorcidos cajados de tão maus pastores, tudo hão-de fazer para se entrincheirarem em “razões” idiotas e, essas sim, “pífias”, de modo a não serem “desautorizadas” (sem perceberem que tal desautorização advém, inteirinha, da estupidez que ostentam e esbanjam, com tal opulência que se diria não recearem que alguma vez se lhes esgote). A luta pela reposição da legalidade e pela obliteração deste atentado à língua e à cultura portuguesas está longe de terminar. Mas as posições contra o Aborto Ortofágico já são tantas, o número de colaboradores, fixos ou ocasionais, da imprensa periódica cujos escritos vêm acompanhados pela “nota” fatal de que não se dobram à arrogância parola do AO são, actualmente, em tão robusta maioria, que a pouca vitalidade do abortinho, vítima de evidentes mal-formações, se vai esvaindo cada vez mais celeremente, subsistindo apenas por se manter ligado à máquina da imbecilidade reinante, que não se limita ao acatamento acéfalo da boçalidade “troikal”: aliás, os indigentes intelectuais que pontificam no nosso triste Estado estendem as suas insuficiências a todas as áreas, “cegos guiados por cegos”, orientados apenas pelo esconso chocalhar do “vil metal”, único apelo a que respondem.
    A propósito, já leram o último livro do Mário de Carvalho, talvez o autor que, hoje em dia, melhor e com mais sabor usa a língua portuguesa e que, naturalmente, não aceitou ser publicado em “acordês”, não se safando, no entanto, de dois “acordes desafinados”, pelo menos (ainda não cheguei ao fim de tão apaladado acepipe), decerto fruto dos malfadados “correctores actualizados”, que os programas informáticos, dicionários “on line” e quejandos logo disponibilizaram e os editores se apressaram a implantar nas suas “cadeias de produção”?

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