por Rui Oliveira
Nesta Quinta-feira 14 de Fevereiro confirma-se o dito popular de que “não há fome (aqui cultural) que não dê em fartura…” (Nota minha: bom seria que tal se verificasse no plano material !). O facto é que serão então numerosas as fontes de interesse, quer na música,quer no teatro, de onde termos de operar uma selecção.
Nascido em 1862, Claude Debussy obtém o prémio de Roma em 1884 e torna-se artista residente da Villa Médicis. O regresso a França, em 1887, marca a consolidação do seu estilo ao lado dos poetas simbolistas. A literatura exerce portanto uma influência fundamental en algumas das suas primeiras obras de arte: o Prélude à l’Après-midi d’un faune (1892), composto sob influência da poesia de Stéphane Mallarmé e o drama lírico Pelléas et Mélisande (1902), adaptação musical da composição de Maurice Maeterlinck. Inovadoras e pioneiras, as suas obras trouxeram uma nova concepção do tempo e espaço musicais, libertando a música das suas convenções e, de então até aos dias de hoje, inúmeros compositores se dizem influenciados pela sua estética, de Messiaen à Boulez passando por Dutilleux ou Poulenc.
Informação detalhada sobre toda a programação do Festival Debussy+ pode encontrar-se em www.ifp-lisboa.com e www.musica.gulbenkian.pt ou ser acompanhada no www.facebook.com/IFPLisboa.
Do programa constam :
Claude Debussy Gigues
Marc-André Dalbavie Color
Claude Debussy Rondes de printemps
Marc-André Dalbavie Sonnets sur un poème de Louise Labé
Debussy / Dalbavie Três canções populares inspiradas em Images (estreia mundial)
Claude Debussy Ibéria
O concerto é repetido na Sexta 15, às 19h, com o mesmo programa.
Para que se conheça a música deste compositor moderno, mostramos-lhe a 1ª parte duma peça do concerto “Color”, cuja 2ª parte conclusiva se encontra em : http://youtu.be/hv-AdawJmSo
E como o tema é homenagear Claude Debussy, lembremos que as três peças do concerto são as três secções que integram a sua obra escrita entre 1905 e 1912, inicialmente destinadas a dois pianos, mas mais tarde reunidas nas “Images pour Orchestre”, de que lhe damos a ouvir a primeira, “Gigues” (no título inicial Gigues tristes), aqui tocada pela “Orchestre Symphonique de Montreal” dirigida por Charles Dutoit :
Bo Gustav Stenson (1944 -), acompanhante duma extensa linhagem de músicos americanos visitantes da Escandinávia como Sonny Rollins, Stan Getz, Gary Burton e sobretudo Don Cherry, é desde há muito um dos maiores expoentes do jazz escandinavo (sendo artista ECM desde o início da editora).
O CCB também disponibiliza um curioso vídeo do tema “El Mayor” do álbum “Serenity” (1999) gravado em plena floresta de Risveden :
Para conhecer temas do novo CD “Indicum” (2012), procure aqui, p.ex. o tema “La Peregrinación” do concerto : http://youtu.be/cMoXeN9JYYo
Mostramos-lhe abaixo o registo com violão deste último “Desenganos”. Quem pretender ouvir os duetos com Zizi Possi ou Ivete Sangalo, procure-os aqui : http://youtu.be/FMp1GZwUPns e http://youtu.be/qn4TUnXmWDI
Os figurinos são de Carlos Paulo e a direcção musical e sonoplastia de Hugo Franco.
Luiz Felipe Botelho recupera aqui a expressão “histórias de Trancoso”, que teve origem há mais de 400 anos, pouco tempo depois de chegarem ao Brasil alguns exemplares da obra literária do português Gonçalo Fernandes Trancoso e a partir do nome do contador de histórias, o autor constrói uma história de diversão e encantamento, com vários apontamentos sobre a própria natureza humana.
NOTA: Os espectáculos de 4.ª a 6.ª são direccionados ao universo escolar, pelo que o público adulto dispõe do Sábado (21h15) e Domingo (16h15).
“Faz escuro nos olhos” é um cruzamento de textos de diversos autores (Sergi Belbel, Virginia Woolf, Freud, Sandór Márai, etc), que nos coloca perante a expressão mais primária da humanidade − a violência. Família, pátria, guerra, velhice, infância, pobreza e dinheiro são transversais nesta criação.
Trata-se dum “teatro sem cor e sem fronteiras, que rompe o paradigma das personagens tipo”.
Também no Teatro Turim (Estrada de Benfica, nº 723 A) estreia na Quinta 14 de Fevereiro, às 21h30 (repetindo-se até Domingo, aí às 17h) a peça “Adivinha Quém !” com autoria e encenação de Paula Luiz
Na área da dança, a Companhia Nacional de Bailado apresenta nesta Quinta-feira 14 de Fevereiro no Teatro Camões (ao lado do Oceanário, no Parque das Nações), às 21h, uma nova produção do bailado “O Lago dos Cisnes”ao som da Orquestra Metropolitana de Lisboa sob a direcção de Cesário Costa.
No elenco principal, na estreia, Odette/Odille será desempenhada pela bailarina Filipa de Castro e Siegfried por Carlos Pinillos. Essa distribuição está previsto alterar-se a 15 de Fevereiro para Odette/Odille: Yurina Miura e Siegfried: Steven MacRae (bailarino convidado) e novamente a 22/2 para Odette/Odille: Solange Melo e Siegfried: Denis Veginy (bailarino convidado).
A actuação da CNB irá durar até 3 de Março, havendo na véspera da estreia, Quarta 13, um «Ensaio Geral Solidário» (donativos a partir de 15 €) cujo fundo revertirá integralmente para o projecto “Uma Cidade para Todas as Pessoas”.
Voltando ao campo musical dito não-clássico, como notícias breves, diríamos :
A Galeria Zé dos Bois anuncia, às 22h desta Quinta-feira 14 de Fevereiro, duas rigorosas estreias nacionais, dois prismas diferentes do espectro electro-pop nos dias de hoje (talvez em resposta ao noise-rock dos Metz da véspera ?), da mesma casa editora Hippos in Tanks (Los Angeles, EUA). Eis como os descrevem :
Entretanto ao Onda Jazz, às 22h30, volta (ciclicamente) o Couple Coffee de Luanda Cozetti voz e Norton Daiello baixo, enquanto se anuncia para o Campo Pequeno, às 21h, a passagem da banda islandesa Sigur Rós, vinda do Porto, que será precedida no palco pelo projecto a solo de Benjamin John Power, Blanck Mass.
O sexto disco de estúdio do grupo Sigur Rós, «Valtari» é a razão maior do seu regresso ao nosso país; editado em Maio passado, conta com temas como «Ekki Múkk», «Fjögur píanó» ou «Varúð» de que mostramos abaixo este último tema :
(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Terça aqui)


