Pentacórdio para Quinta-feira 14 de Fevereiro

por Rui Oliveira

 

   Nesta Quinta-feira 14 de Fevereiro confirma-se o dito popular de que “não há fome (aqui cultural) que não dê em fartura…” (Nota minha: bom seria que tal se verificasse no plano material !). O facto é que serão então numerosas as fontes de interesse, quer na música,quer no teatro, de onde termos de operar uma selecção.

 

festival debussy 1   Como primeiro destaque, surge indubitavelmente o arranque do “Festival Debussy +” que, de 14 a 22 de Fevereiro, o Institut français du Portugal e a Fundação Calouste Gulbenkian organizam (em parceira com a Escola Superior de Música de Lisboa e com o apoio do Centre de documentation Claude Debussy de Paris, assim como o Instituto Cervantes de Portugal e a rádio Antena 2, que transmitirá, em directo ou diferido a totalidade dos concertos), assinalando o fim das celebrações de comemoração do 150º aniversário do nascimento do compositor.

   Nascido em 1862, Claude Debussy obtém o prémio de Roma em 1884 e torna-se artista residente da Villa Médicis. O regresso a França, em 1887, marca a consolidação do seu estilo ao lado dos poetas simbolistas. A literatura exerce portanto uma influência fundamental en algumas das suas primeiras obras de arte: o Prélude à l’Après-midi d’un faune (1892), composto sob influência da poesia de Stéphane Mallarmé e o drama lírico Pelléas et Mélisande (1902), adaptação musical da composição de Maurice Maeterlinck. Inovadoras e pioneiras, as suas obras trouxeram uma nova concepção do tempo e espaço musicais, libertando a música das suas convenções e, de então até aos dias de hoje, inúmeros compositores se dizem influenciados pela sua estética, de Messiaen à Boulez passando por Dutilleux ou Poulenc.

   Informação detalhada sobre toda a programação do Festival Debussy+ pode encontrar-se em www.ifp-lisboa.com  e www.musica.gulbenkian.pt ou ser acompanhada no www.facebook.com/IFPLisboa.

 

MarcAndreDalbavie   A abrir haverá pois no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 21h, um concerto da Orquestra Gulbenkian dirigida por Marc-André Dalbavie, maestro (e compositor em residência) (foto), com a participação do contratenor ucraniano Yuriy Mynenko.

   Do programa constam :

 

      Claude Debussy  Gigues

      Marc-André Dalbavie  Color

      Claude Debussy  Rondes de printemps

      Marc-André Dalbavie  Sonnets sur un poème de Louise Labé

      Debussy / Dalbavie  Três canções populares inspiradas em Images (estreia mundial)

      Claude Debussy  Ibéria

 

   O concerto é repetido na Sexta 15, às 19h, com o mesmo programa.

   Para que se conheça a música deste compositor moderno, mostramos-lhe a 1ª parte duma peça do concerto “Color”, cuja 2ª parte conclusiva se encontra em : http://youtu.be/hv-AdawJmSo

 

 

   E como o tema é homenagear Claude Debussy, lembremos que as três peças do concerto são as três secções que integram a sua obra escrita entre 1905 e 1912, inicialmente destinadas a dois pianos, mas mais tarde reunidas nas “Images pour Orchestre”, de que lhe damos a ouvir a primeira, “Gigues” (no título inicial Gigues tristes), aqui tocada pela “Orchestre Symphonique de Montreal” dirigida por Charles Dutoit :

 

 

 

 

BoboStensonTrio_2008   Por contraponto, o Centro Cultural de Belém disponibiliza no seu Pequeno Auditório, às 21h desta Quinta-feira 14 de Fevereiro, integrado na sua habitual ECM Lisbon Series, a audição do “Bobo Stenson Trio”, constituído há quatro décadas pelo pianista sueco Bobo Stenson, acompanhado pelos seus compatriotas Anders Jormin contrabaixo e Jon Fält bateria.

   Bo Gustav Stenson (1944 -), acompanhante duma extensa linhagem de músicos americanos visitantes da Escandinávia como Sonny Rollins, Stan Getz, Gary Burton e sobretudo Don Cherry, é desde há muito um dos maiores expoentes do jazz escandinavo (sendo artista ECM desde o início da editora).

indicum ++   “Oft Am I Glad”, do compositor dinamarquês Carl Nielsen, temas de Bill Evans e de George Russell, um hino norueguês, uma composição contemporânea de Ola Gjeilo, uma canção de protesto de Wolf Biermann, o tema folclórico de Ariel Ramirez «La Peregrinación», tocados livremente, eis o reportório eclético para a construção de “Indicum”, último álbum do trio de Bobo Stenson e objecto deste concerto produto de um equilíbrio de energias no trio: “um assertivo piano lírico, raízes firmes e boa escolha de notas do baixo e bateria rigorosa e textural”.

   O CCB também disponibiliza um curioso vídeo do tema “El Mayor” do álbum “Serenity” (1999) gravado em plena floresta de Risveden :

 

   Para conhecer temas do novo CD “Indicum” (2012), procure aqui, p.ex. o tema “La Peregrinación” do concerto : http://youtu.be/cMoXeN9JYYo

 

 

 

Luiza_Possi_Alta-700x466   Proseguindo a celebração do «Ano Brasil-Portugal», a Semana Cantoras Brasileiras no Espaço Brasil (LX Factory – Rua Rodrigues de Faria, 103 – Armazém L) abrirá nesta Quinta-feira 14 de Fevereiro, às 22h30, com a cantora Luiza Possi, a “talentosa e charmosa e filha da incrível Zizi Possi”.

Seguir_Cantando   Virá divulgar o seu actual trabalho “Seguir Cantando”, gravado ao vivo no Citibank Hall, em São Paulo, CD/DVD que tem seu momento mágico quando ela divide o palco com a mãe, Zizi Possi cantando “Cacos de Amor” (Luiza Possi e Dudu Falcão). Além da sua mãe, a cantora e compositora convidou ainda a rainha do axé Ivete Sangalo e incluiu oito de suas composições na apresentação, entre elas as mais intimistas, como “Na Sua”, “Dias com Mais Horas” e “Minha Lua”. Luiza assume o teclado em outra de suas músicas, “Paisagem” e para “Desenganos”, também de sua autoria, ela empunha um violão. Mas o foco não é o intimismo, e sim mexer com emoções (diz  programa).

   Mostramos-lhe abaixo o registo com violão deste último “Desenganos”. Quem pretender ouvir os duetos com Zizi Possi ou Ivete Sangalo, procure-os aqui : http://youtu.be/FMp1GZwUPns  e  http://youtu.be/qn4TUnXmWDI

 

 

 

 

o segredo de trancoso 2   Na área teatral, há diversas estreias nesta Quinta-feira 14 de Fevereiro, a começar pelo Teatro Nacional Dª Maria II onde na sua Sala Estúdio, às 11h, se começa a representar “O Segredo da Arca de Trancoso” de Luiz Felipe Botelho, numa versão cénica e encenação de João Mota, com Fabíola Lebre, Marco Paiva, Simon Frankel, Tânia Alves, Bernardo Chatillon, Joana Cotrim, Jorge Albuquerque, Lita Pedreira, Luis Geraldo e Maria Jorge como intérpretes.

   Os figurinos são de Carlos Paulo e a direcção musical e sonoplastia de Hugo Franco.

O-SEGREDO-DA-ARCA-DE-TRANCOSO   O texto, inspirado no universo dos contos orais lusitanos, conta a história de uma criança como outra qualquer que se vê subitamente com a responsabilidade de cuidar de uma misteriosa arca de madeira, cheia de poderes, cobiçada por ladrões e até por criaturas sobrenaturais. Ao ser aberta, a arca revela no seu interior um conteúdo diferente para cada pessoa.

   Luiz Felipe Botelho recupera aqui a expressão “histórias de Trancoso”, que teve origem há mais de 400 anos, pouco tempo depois de chegarem ao Brasil alguns exemplares da obra literária do português Gonçalo Fernandes Trancoso e a partir do nome do contador de histórias, o autor constrói uma história de diversão e encantamento, com vários apontamentos sobre a própria natureza humana.

   NOTA: Os espectáculos de 4.ª a 6.ª são direccionados ao universo escolar, pelo que o público adulto dispõe do Sábado (21h15) e Domingo (16h15).

 

 

 

faz_escuro   Entretanto no Teatro do Bairro (Rua Luz Soriano, nº 73, ao Bairro Alto), de 14 a 24 de Fevereiro (mas só de Quinta a Sábado às 21h) representa-se “Faz Escuro nos Olhos”, uma criação colectiva do Teatro Griot, com encenação de Rogério de Carvalho, professor na Academia Contemporânea do Espectáculo (Porto) e um dos mais respeitados encenadores do espaço luso falante, que é uma montagem e selecção colectiva interpretada por Daniel Martinho, Giovanni Lourenço, Margarida Bento, Matamba Joaquim, Susana Sá e Zia Soares.

   “Faz escuro nos olhos” é um cruzamento de textos de diversos autores (Sergi Belbel, Virginia Woolf, Freud, Sandór Márai, etc), que nos coloca perante a expressão mais primária da humanidade  −  a violência. Família, pátria, guerra, velhice, infância, pobreza e dinheiro são transversais nesta criação.

   Trata-se dum “teatro sem cor e sem fronteiras, que rompe o paradigma das personagens tipo”.

 

   Também no Teatro Turim (Estrada de Benfica, nº 723 A) estreia na Quinta 14 de Fevereiro, às 21h30 (repetindo-se até Domingo, aí às 17h) a peça “Adivinha Quém !” com autoria e encenação de Paula Luiz

 

 

 cnb_o lago dos cisnes

   Na área da dança, a Companhia Nacional de Bailado apresenta nesta Quinta-feira 14 de Fevereiro no Teatro Camões (ao lado do Oceanário, no Parque das Nações), às 21h, uma nova produção do bailado “O Lago dos Cisnes”ao som da Orquestra Metropolitana de Lisboa sob a direcção de Cesário Costa.

cnb_o lago dos cisnes 1   Nesta nova produção, a CNB quer reproduzir a tradição coreográfica em toda a pureza e estilo partindo do bailado clássico criado por Marius Petipa e da música de Tchaikovski , partilhando-a com as imagens e a dramaturgia do cineasta Edgar Pera. Caberá a Fernando Duarte, bailarino principal e ensaiador da Companhia, essa reconstrução coreográfica e coreografia adicional.

   No elenco principal, na estreia, Odette/Odille será desempenhada pela bailarina Filipa de Castro e Siegfried por Carlos Pinillos. Essa distribuição está previsto alterar-se a 15 de Fevereiro para Odette/Odille: Yurina Miura e Siegfried: Steven MacRae (bailarino convidado) e novamente a 22/2 para Odette/Odille: Solange Melo e Siegfried: Denis Veginy (bailarino convidado).

   A actuação da CNB irá durar até 3 de Março, havendo na véspera da estreia, Quarta 13, um «Ensaio Geral Solidário» (donativos a partir de 15 €) cujo fundo revertirá integralmente para o projecto “Uma Cidade para Todas as Pessoas”.  

 

 

   Voltando ao campo musical dito não-clássico, como notícias breves, diríamos :

 

   A Galeria Zé dos Bois anuncia, às 22h desta Quinta-feira 14 de Fevereiro, duas rigorosas estreias nacionais, dois prismas diferentes do espectro electro-pop nos dias de hoje (talvez em resposta ao noise-rock dos Metz da véspera ?), da mesma casa editora Hippos in Tanks (Los Angeles, EUA). Eis como os descrevem :

d'Eon   “… Um é o canadiano d’Eon, com quatro álbuns editados e um EP de colaboração com a conterrânea Grimes, que chega ao Aquário da ZDB com o mais recente disco homónimo, centro de atenções o ano passado para respeitadas publicações online como a Fact ou Tiny Mix Tapes (audível em http://youtu.be/dz5jE1mC9zY ). Faz parte dessa genealogia que alberga muita da herança musical dos 80s a uma existência enraizada ao conceito New Age.

Aaron David Ross e Matthew Arkell… Num pólo oposto, embora editando na mesma casa, encontra-se o duo norte-americano Gatekeeper. Luxuosamente visuais, a nível de artwork e na evocação sonora das suas composições, Aaron David Ross e Matthew Arkell parecem focar a sua produção para resultados maximalistas. Improváveis no conteúdo e sinuosos nos percursos, são mestres na criação de atmosferas de suspense, dedicando-os … a tornar a electrónica num lugar mais assombrado”, como se ouve no último álbum “Exo” aqui : http://youtu.be/XgvcKVpQTuU

   Entretanto ao Onda Jazz, às 22h30, volta (ciclicamente) o Couple Coffee de Luanda Cozetti  voz e Norton Daiello baixo, enquanto se anuncia para o Campo Pequeno, às 21h, a passagem da banda islandesa Sigur Rós, vinda do Porto, que será precedida no palco pelo projecto a solo de Benjamin John Power, Blanck Mass.

   O sexto disco de estúdio do grupo Sigur Rós, «Valtari» é a razão maior do seu regresso ao nosso país; editado em Maio passado, conta com temas como «Ekki Múkk», «Fjögur píanó» ou «Varúð» de que mostramos abaixo este último tema :

 

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Terça aqui)

 

 

 

 

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