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ANOS ATRÁS – Um esclarecimento – por Carlos Leça da Veiga

           

Ao longo das páginas seguintes, dispersos conforme os anos da sua publicação, vão transcrever-se alguns dos vários textos que, durante um ror de anos foram uma tentativa baldada para intentar usar o direito a uma presença, mesmo que insípida e incipiente, no jogo social da troca de ideias que, diz-se, a democracia avaliza, é generosa em facilitar inclusive – garantem os mais convictos – compraz-se em avivar e dar repercussão. Verdade?

 No decorrer de muitos anos, por algumas vezes, a imperiosidade de usar a escrita levou à produção de textos que muitos deles, fosse sob a forma de cartas ou aquela de intenções jornalísticas, bem vistas as coisas – muitos deles, repete-se – têm os seus conteúdos muito próximos, dir-se-á conexos, com a generalidade de quanto, com vestes diferentes, mais tarde, acabou retratado nas paginas imediatamente atrás.

 Reconhecida, assim, haver uma abundante redundância temática, senão mesmo, poder atribuir-se-lhe um certo carácter obsessivo, impôs-se, ter tino e avançar-se para a eliminação dum contingente apreciável de textos, circunstância tão acertada como necessária mas, confissão imprescindível, reconhecida como muito penosa.

 Mau grado, terem sido muitas as exclusões entendidas como pertinentes, senão forçosas, uma houve, entre todas elas, julgada impossível de fazer-se, não por poder incorporar-se na prolixidade das proposições mais constantemente afloradas mas sim pela razão julgada muito forte de oferecer o testemunho, dalgum modo importante, duma época há muito passada e, também, não menos significativo, para deixar homenagem a uma personalidade marcante nas hostes oposicionistas daquela academia coimbrã do primeiro lustro dos transactos anos cinquenta.

 Embora seja um texto com cuja autoria formal nada tenha tido – que não fosse a sua aprovação e o seu apoio total – nunca deixarei de recordá-lo para, como agora, não permitir possa esquecer-se que no seu tempo, mau grado sujeito às imensas restrições da ditadura, apesar de tudo, soube demonstrar-se contra elas com a frontalidade mais necessária.

De facto, foi um manifesto académico que não só traduziu intenções sociais, culturais e políticas daquela geração estudantil como serviu, sobretudo, para uma afirmação política, à luz do dia, do contingente mais interveniente dos estudantes coimbrões avessos ao salazarismo.

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