Nota da Coordenação – Os textos publicados sob o título genérico de “Saúde uma emergência nacional”,, foram escritos por Carlos Leça da Veiga em 1974 e suscitados por um artigo publicado na revista Vida Mundial de 7 de Junho de1974. Artigo que hoje reproduzimos -seguir-se-á a resposta de Carlos Leça da Veiga que, pela sua extensão, será publicada durante os próximos dias.
«Em Portugal ainda se morre injusta e irracionalmente por total privação de meios de combate a situações clínicas de solução rotineira em outros países. Verdade dita e redita a comprovar o descalabro de um sector fundamental na vida dos povos, ela vive em cada um dos portugueses que alguma vez sentiu o desleixo e o desconforto de um hospital, a incerteza das horas passadas num Banco de urgência, e a desesperante e inútil espera nos postos das Caixas de Previdência. A saúde é um acto de emergência nacional, requerendo a globalidade de esforços e de experiências que pede muito mais que uma Secretaria de Estado e o lugar de parente pobre que lhe foi destinado no programa e na composição do Governo Provisório. É o testemunho de individualidade qualificada para sobre este assunto se pronunciar que “V.M.” arquiva nas suas colunas – o dr. Carlos Leça da Veiga, activo dirigente da Secção Regional do Sul do Sindicato Médico (ex-Ordem) e, juntamente com uma plêiade de jovens médicos, infatigável lutador pela institucionalização de um sindicalismo médico que as estruturas fascistas sempre contrariaram até ao ponto de fecharem, ocuparem e tutelarem a antiga Ordem com um curador. Toda esta fase dramática da vida duma instituição empenhada em servir os interesses da classe médica e em luta contra a anterior política populista, demagógica e mistificadora, viveu-a o dr. Leça da Veiga com os seus camaradas da Secção Regional do Sul, vencedora de memoráveis eleições que iriam encontrar um processo de perseguição e de repressão desencadeado pelos agentes do fascismo – processo que se concluiria com a destituição e julgamento dos seus componentes».
