Grândola, vila galega
Se Grândola soubesse que há galegas e galegos presos por delito de proclamar publicamente a vontade de independência para a Galiza. Que são sequestradas e retidas nos cárceres espanhóis, muito longe das suas famílias, acusadas disto e daquilo sem mais provas que a vontade policial espanhola.
Se Grândola soubesse que emigramos aos milhares por falta de emprego, que as idosas lutam por impedir os próprios despejos, que professorado e alunado se encerram nos centros de ensino, que os olhos dos moços saltam pelos ares nas brutais intervenções policiais, que os foros pelo uso dos hospitais estão em marcha, que a saudade já não disputa com a pobreza, dona e senhora do material e do imaterial.
Se Grândola soubesse que as mãos que artelham o desastre aqui apertam as mãos dos que acabam com os serviços sanitários aí. Dos que vos esfarelam a educação, dos que espalham o desemprego crónico e a emigração maciça. Dos que disfarçados de austeridade em nome dos seus donos empobrecem e avassalam a vida. Dos que murcham os cravos do 25 de abril.
Se Grândola soubesse que essas mãos se unem fortemente para manter a Galiza longe de Portugal. Para separar-nos e que entre nós cresça o abismo. Para esquecermos todo o que nos une e nos manter nas suas mãos.
Se Grândola soubesse que hoje foi chamada de novo aqui, como a primeira vez…
Digam-lho, por favor, façam-lhe chegar a mensagem.
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