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Da Galiza, mensagem : Galiza extrema e dura – por Isabel Rei

"Árvores em inverno" - Ovídio Murguia de Castro (1871-1900).

Da Galiza mensagem

Galiza extrema e dura

A Estremadura espanhola está a animar as pessoas da sua comunidade para aprenderem língua portuguesa. Dizem que saber português melhora o currículo académico e permite aspirar a mais e melhores postos de trabalho.

É o mesmo que vimos dizendo algumas pessoas na Galiza desde há tempo demais. Com a diferença de que na Estremadura espanhola o português é terceira língua, entanto aqui é a nossa língua materna, veículo de transmissão da cultura e de coexão da comunidade.

Mas isso não tem sido suficiente. As verdades somente são verdades se as diz o imperador. Porém, o certo é que no berço da língua, perde-se a língua. Péssima notícia para quem vive nela. Poderia sair agora a usada metáfora da árvore que não sobrevive sem raízes, ainda que raízes continue a havê-las mesmo não estando nada bem cuidadas.

Porque aqui estamos, apesar de tudo, sofrendo agressão continuada. Perante a proibição da beleza das palavras e da autenticidade dos sotaques. Perante o nunca ler nem escutar Pessoa, Eça, de Mello Breyner, nem Lispector, Meireles, Drummond, nem Mia Couto, nem Vinícius, nem Cartola. Sem papeis e sem governo, vendidas e ultrajadas. Perante isso, o que faz Portugal?

É compreensível mas não admissível que a Espanha não deixe as galegas se desenvolverem com liberdade. Ora, nem admissível nem compreensível que Portugal se mantenha distante do seu berço, fonte originária da sua história e cultura, entanto abre os braços à hoje espanhola Estremadura.

“Árvores em inverno” – Ovídio Murguia de Castro (1871-1900)

 

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