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PEPE CARVALHO – “El mar, un cristal opaco”

Com «El mar, un cristal opaco» chegamos na próxima sessão ao fim da apresentação de episódios da série de aventuras de Pepe Carvalho que o cineasta argentino Adolfo Aristaraín realizou e a TVE produziu em 1982. Mas continuaremos nos próximos dias a falar do detective barcelonês, do cinema negro e da sua íntima relação com a literatura.

Por agora, regressamos a Hollywood e aos anos 30. Michael Curtiz realizava filmes sobre filmes. Alguns deles não podem ser dissociados da génese do cinema negro – 20.000 anos em Sing Sing, feito em 1932, e Detective Particular 62, datado de 1933, são apenas dois exemplos entre os muitos que podíamos escolher, pois nessa época, Curtiz teve anos em que rodou seis filmes.  Outro título que faz parte da genealogia do “filme noir” é O gato preto,  realizado em 1934 pelo austríaco Edgar G. Ulmer. Outro realizador imigrante que contribuiu para que em Hollywood se instalasse uma corrente expressionista europeia que conduziu ao conceito que estamos a abordar, foi Josef von Sternberg que realizou filmes como O Expresso de Xangai, em 1932, e, em 1935, O Diabo é uma Mulher. Não devemos esquecer James Whale que em 1933 realizou O Homem Invisível. São simples referências, uma mera nota sobre um tema que daria para escrever uma enciclopédia. Nestes filmes, com uma estética visual que podemos considerar de um certo barroquismo face ao estilo directo, sem adornos, que caracterizava desde o seu início o cinema tipicamente norte-americano, começava a criar-se condições para que filmes como Casablanca acontecessem.

Amanhã continuamos. Por hoje, pedimos a vossa atenção para o episódio da próxima sessão – Pepe Carvalho em El mar, un cristal opaco.

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