Sem perdermos de vista Manuel Vázquez Montalbán e o seu Pepe Carvalho, recordemos em que contexto histórico o cinema negro surgiu. Quando em 1929 ocorreu a grande depressão económica, a indústria cinematográfica de Hollywood estava em grande expansão. Os filmes sonoros começavam a ser aceites, embora as vozes fossem em alguns casos motivo de desilusão – o caso de Greta Garbo é exemplar. Os cinéfilos multiplicavam-se e os filmes faziam parte do mundo ilusório em que milhões de pessoas se refugiavam, fugindo de uma realidade que as apavorava.
Na Alemanha, com a ascensão do regime nazi, numeroso realizadores alemães e de outros países europeus exilavam-se nos Estados Unidos, como foram os casos de Fritz Lang, Robert Siodmak,Michael Curtiz,… Estes cineastas levaram para Hollywood novas técnicas – por exemplo, a de através da intensidade da iluminação das cenas transmitir o estado psicológico das personagens. Uma nova forma de encenação cinematográfica deu lugar ao aparecimento dos primeiros filmes precursores do cinema negro. Uma dessas obras, datada de 1931, um filme realizado por Fritz Lang – M, oVampiro de Dusseldorf, foi um dos primeiros filmes sonoros a adoptar uma estética e um guião que anunciavam já o cinema negro.
Meio século depois temos Pepe Carvalho movimentando-se numa Barcelona em transformação, numa Europa em que a cavalgada eleitoral socialista, ganhando eleições em Portugal, Espanha, França. Grécia, em nome da Liberdade, escancarava as portas às liberdades, à corrupção… Carvalho conhece ambas as faces da moeda – o capitalismo de Estado e o capitalismo selvagem. É um homem sem ilusões.
À UMA DA MANHÃ, UMA NOVA AVENTURA DE PEPE CARVALHO – «PIGMALIÓN».