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POESIA AO AMANHECER – 165 – por Manuel Simões

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ANTÓNIO DINIS DA CRUZ E SILVA

(1731 – 1799)

O HISSOPE (fragmento)

Eu canto o bispo e a espantosa guerra,

que o hissope excitou na igreja d’Elvas.

Musa, tu, que nas margens aprazíveis,

que o Sena borda de árvores viçosas,

do famoso Boileau a fértil mente

abrasaste benigna, tu me inflama;

tu me lembra o motivo; tu as causas

por que a tanto furor, a tanta raiva

chegaram o prelado e o seu cabido.

O autor, identificado ideologicamente com o regime pombalino, esboça aqui um realismo social, numa espécie de poema herói-cómico. “O Hissope” é um longo poema à volta do conflito entre o bispo de Elvas e o seu deão, por este se recusar a levar-lhe o hissope à porta da casa do Cabido, assumindo, por isso, um tom de sátira de alguma qualidade.

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