![10550902_MvCyL[1]](https://i0.wp.com/aviagemdosargonautas.net/wp-content/uploads/2013/04/10550902_mvcyl1.jpg?resize=179%2C179)
Podemos estar nos preliminares de novo escândalo envolvendo essa figura intrigante, que parece mover-se num pântano mafioso, maquiavélico e oportunista, que conspurca tudo em que se mete e vicia todos com quem se envolve. Em 13 de Julho do ano passado Nuno Crato, Ministro da Educação e Ciência (MEC), incumbiu a Inspecção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) de averiguar a forma como se processara a suspeita licenciatura do ministro Relvas e de outras, mas fora Relvas e o rumor público que provocara que, obviamente, despoletara o despacho do ministro. E pediu urgência. A IGEC concluiu a inspecção, elaborou o relatório que entregou ao MEC e este remeteu-o para a Universidade Lusófona (UL), para que reparasse as irregularidades. E de novo com urgência. Soubemos pela voz do professor Alberto Amaral, presidente da Agência de Investigação do Ensino Superior, que efectuara a inspecção, que havia muitos contornos obscuros em todos estes processos e, particularmente em relação a Relvas, que não conhecia nenhum caso em que se tivessem atribuído tantos créditos. A UL entregou o seu relatório ao MEC que envolve a reanálise de todas as licenciaturas com recurso a créditos. E é importante para a UL, onde trabalha, ensina e aprende gente digna e competente, que esta nódoa seja removida. Relvas não pode ficar como a imagem da universidade. Já lá vão dois meses e, pelos vistos, a urgência do ministro Crato era só para os outros.
Tudo isto é, mais uma vez, estranho. Se as propostas da UL fossem favoráveis a Relvas, ninguém tem dúvidas que já seriam do domínio público, com conferências de imprensa e entrevistas em horários nobres nas televisões. Será que se está a cozinhar algo que mais uma vez permita a Relvas passar por entre a chuva sem se molhar, como aconteceu com o lamentável caso do jornal “Público” e do tortuoso inquérito da ERC e de Carlos Magno? Ou será que se aguarda a remodelação governamental e a saída de Relvas, para que Passos Coelho não saia chamuscado desta fogueira?
Relvas acumula escândalos. Tudo o que de pior envolve a equipa de Passos Coelho em termos éticos, passa por ele. As pressões sobre a imprensa, privatizações equívocas, as intimidades com a sinistra seita do BPN, cumplicidades maçónicas, oportunismos de carreira e curriculares, relações suspeitas com serviços secretos (o caso Silva Carvalho, a que não é alheio e que pura e simplesmente vai trabalhar para a sua órbita na presidência do Conselho de Ministros também saltou para a imprensa neste fim-de-semana). A presença de Relvas num órgão de soberania de um país é uma indignidade, é um insulto. Mas os seus tentáculos devem ser comprometedores. A forma como mantém comprometido o seu chefe e, pelos vistos agora, outros pares, permite pensar que têm medo dele, do que ele sabe, do que ele não hesitará em revelar.
No anterior GDH recordei a figura de Álvaro Cunhal porque foi um homem de carácter, respeitado em todas as áreas políticas, por correligionários ou adversários. Relvas é, exactamente a antítese, é o indivíduo sem carácter, sem palavra, sem ética, que não merece respeito de opositores e é um incómodo para parceiros. Mas, ética e politicamente, os que o suportam também já estão irremediavelmente manchados.
1 de Abril de 2013
