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REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

 

A internacionalização do yuan

Antoine Brunet

 

Recentemente, a China acaba de autorizar  que a conversão  dos dólares australianos em Yuan e dos Yuan  em dólares australianos  se possa efectuar   sem dificuldade no território da República Popular da China. Anteriormente, a China já tinha autorizado que as conversões idênticas se pudessem realizar  na China entre o yuan chinês e iene japonês.

Este tipo de medidas  vem-se acrescentar às  iniciativas  da China incentivando muitos países a negociarem com a China facturando as   suas  trocas reciprocas  não em dólares  americanos mas sim ou em yuan ou em moeda do pais parceiro.

A China tem tomado uma série de outras iniciativas para que os bancos centrais de alguns países possam concretamente constituir reservas de câmbio em yuan: os bancos centrais destes países passam a estar na verdade agora  autorizados a comprar e manter títulos emitidos a curto prazo em yuan pelo estado chinês, (esses bancos  estão também autorizados a executar a posição simétrica: liquidar os títulos e reconverter os yuans na sua moeda nacional ) …

Todas essas iniciativas chinesas convergem para um único objectivo: promover o estatuto internacional do yuan em detrimento do estatuto internacional do dólar; e isso  até que o dólar  seja finalmente destronado pelo  yuan, até que a moeda do mundo não seja mais  o dólar mas na verdade que seja então o yuan.

Até recentemente, todas as matérias-primas importantes eram cotadas em dólares  (petróleo, gás natural, carvão, metais, matérias-primas agrícolas,…). Isto tinha como resultado o facto de que os países  exportadores  recebiam em dólares , e só em dólares, as matérias-primas que eles se comprometiam a exportar  e, em seguida,  recebiam como contrapartida, o seu valor em moeda americana, o dólar, na data determinada pelo contrato acordado.

Como resultado dessa prática, o dólar  estava aureolado com esse prestígio, a moeda mundial, e os bancos centrais dos países terceiros recebiam-no, à vontade, e acumulavam-no tanto quanto podiam como moeda de reserva em quantidades cada vez mais consideráveis.

E essa propensão dos bancos centrais de países terceiros em  aceitar estar a moeda americana, acumulando portanto como sendo as suas reservas cambiais os  dólares provenientes dos Estados Unidos (depois de terem sido emitidos seja pelos  bancos comerciais dos EUA,  seja pelo  próprio Estado) permitiu  ao sistema bancário americano que emitisse  dólares amplamente e sem  qualquer restrição particular.

É também graças a essa configuração muito especial que o sistema bancário americano foi capaz de financiar  desde 2008, os défices colossais  e repetidos sem que  nem os mercados, nem a economia dos EUA sejam punidos. É  a esta posição que se chama o privilégio do dólar.

É também este privilégio que pacientemente, desde 2008, a China começou a questionar antes de estar a procurar agora abatê-lo.  E todas as iniciativas  enumeradas   no início deste artigo são uma peça dessa estratégia.

Porquê uma tal obsessão da China?

Os líderes do Partido comunista chinês não se esquecem  de  que se a URSS perdeu a guerra fria com os Estados Unidos em 1989, isto terá sido em boa parte  porque que, desprovidos do  privilégio monetário, a Rússia não tinha a capacidade financeira para responder com uma corrida aos armamentos, a guerra das estrelas, que os Estados Unidos lhes infligiram  desde  1982 e que eles financiaram   muito facilmente  graças ao privilégio do dólar.

Hoje, esses dirigentes chineses estão pressionados seja para acabar com a  hegemonia americana   seja para dominar o resto do  mundo  (veja-se o  seu comportamento desde 2010 no mar do Sul da China e no mar do China Oriental).

Eles  disfarçam cada vez menos a sua intenção de alcançar e de depois  ultrapassar o dispositivo militar  dos  Estados Unidos para  lhes infligir uma derrota militar definitiva.

Munidos das lições do período 1982-1989, eles estão bem determinados a retirar ao dólar o  seu privilégio de moeda mundial para que este seja atribuído ao yuan.

Assim, na segunda guerra fria na qual estamos agora a entrar e desta forma, será agora a China  que estaria  equipada com uma alta capacidade para   financiar as suas despesas de armamentos  e os Estados Unidos, que sofreriam uma grande restrição financeira e que, no momento mais inconveniente, seriam forçados  a limitar os seus gastos em armamento.

Em conclusão, há uma articulação muito importante entre as iniciativas monetárias chinesas e as suas iniciativas militares e territoriais.

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Para saber mais veja em :  http://www.atlantico.fr/decryptage/internationalisation-yuan-comment-chine-tente-imposer-monetairement-et-ecraser-dollar-antoine-brunet-549560.html#L0Jjtir37fXDv26x.99

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