Numa entrevista ao Jornal de Negócios, Miguel Sousa Tavares classificou o presidente da República como “palhaço”. Disse: “o pior que nos pode acontecer é um Beppe Grillo, um Sidónio Pais. Mas não por via militar. (…) Nós já temos um palhaço. Chama-se Cavaco Silva, Muito pior do que isso, é difícil.” A pedido do presidente, a Procuradoria-Geral da República abriu um inquérito às declarações do escritor. Pela lei, trata-se de um crime de ofensa à honra do Presidente da República, punível com pena até três anos.
Lembramos o caso de Daniel Oliveira, que por igual acusação, mas relativamente a Alberto João Jardim, foi condenado a pagar uma multa. Miguel Sousa Tavares já reconheceu que foi «excessivo» e, de certo modo, em declarações ao Expresso, pede desculpa -“Acho que o Presidente e o Ministério Público têm razão. Reconheço que não devia ter dito aquilo. Fui atrás da pergunta”, (…) “O processo vai seguir, logo verei o que digo. Obviamente chamei-lhe palhaço no sentido político”. É um dos tais fait-divers de que se vai alimentando a crónica política diária.
O que é triste (e o mesmo dissemos quando do caso de Daniel Oliveira) que mal fizeram os palhaços para ser comparados a Jardim ou Cavaco? São profissionais bondosos, não enriquecem de forma ínvia e alguns atingem níveis de excelência que seres como Cavaco e Jardim nunca atingirão – Charles Chaplin, por exemplo, era um palhaço. Não devia ser considerado crime compará-lo a semelhantes pessoas?
Ninguém os defende?
