Temos tendência para considerar mais grave um arranhão que acabamos de sofrer do que uma ferida profunda que tenhamos tido anos atrás – a ferida grave já não nos dói e o arranhãozito arde e incomoda neste momento. Já Fernão Lopes chamava a atenção para a impossibilidade de compararmos a época que vivemos com tempos passados.
Quando dizemos que Cavaco Silva é o pior presidente da República que jamais tivemos, talvez estejamos a incorrer nesse erro de perspectiva. Na verdade, se o arranhão dói o que adianta compará-lo com outro que, embora mais grave já sarou? Talvez um historiador competente, isento, rigoroso, apoiado em dados concretos, pusesse Afonso Costa, Sidónio ou Tomás no topo da (des) classificação.
Neste campo, apenas podemos comparar Cavaco com Spínola, um palhaço sinistro, com Costa Gomes, um equilibrista hesitante, com Eanes, que só evoluiu intelectualmente depois de deixar Belém, com Soares, inconsequente, contraditório, com o socialista timorato que foi Sampaio. Temos evitado o tema e, sobretudo abordagens favoráveis a este ou aquele candidato. Entre os argonautas, há apoiantes de Sampaio da Nóvoa, de Henrique Neto, ele próprio colaborador, tal como o director da sua campanha, um dos fundadores do nosso blogue, de Maria de Belém…
Pensamos organizar uma mesa redonda em que cada candidatura seja defendida e contestada. De uma coisa estamos certos – ganhe quem ganhar, não nos representará pior do que Cavaco Silva, iletrado, mentalmente trôpego e, sobretudo, desonesto.
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