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POESIA AO AMANHECER – 207 – por Manuel Simões

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ANTÓNIO BOTTO

(1897 – 1959)

TODA A VIDA

1

Se fosses luz serias a mais bela

De quantas há no mundo: – a luz do dia!

– Bendito seja o teu sorriso

Que desata a inspiração

Da minha fantasia!

Se fosses flor serias o perfume

Concentrado e divino que perturba

O sentir de quem nasce para amar!

– Se desejo o teu corpo é porque tenho

Dentro de mim

A sede e a vibração de te beijar!

Se fosses água, música da terra,

Serias água pura e sempre calma!

– Mas de tudo que possas ser na vida,

Só quero, meu amor, que sejas alma!

(de “Canções”)

Depois da 2ª edição do seu livro “Canções”, desencadeou-se uma famosa polémica conhecida como “Literatura de Sodoma”, que começou com a recensão de Fernando Pessoa, “António Botto e o Ideal Estético em Portugal” (“Contemporânea”, 1922). A polémica, além de Pessoa e Raul Leal, envolveu o jornalista Álvaro Maia e Pedro Teotónio Pereira. Em Março de 1923, as edições de “Canções” e de “Sodoma Divinizada”(Raul Leal), foram apreendidas e queimadas por ordem do governador civil de Lisboa.

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