Um dos princípios que rege o nosso blogue é o de não publicar o material circulante que todos os dias enxameia a blogosfera. E não gostamos de servir de caixa de ressonância a informações que tanto podem corresponder à verdade como não passar de fantasias. Não sendo uma dessas mensagens avulsas, não tem maior credibilidade o ontem divulgado relatório da comissão de inquérito às Parcerias Público – Privadas (PPP). Propõe que vários elementos do governo de Sócrates e a administração das Estradas de Portugal sejam responsabilizados pelas entidades competentes. É óbvio que se trata de uma manobra de diversão, como disse um deputado do PS.
Mas, isso não implica que essas suspeições não devessem ser clarificadas no quadro de uma investigação global a elementos dos executivos PS e PSD, bem como a outros políticos – do negócio dos submarinos à propalada negociata da EDP, não esquecendo as traficâncias com acções do BPN… Se são calunias e os políticos estão a ser injustamente difamados, devia-se apregoar a sua inocência aos quatro ventos, se são culpados, forçoso seria julgá-los e puni-los com a máxima severidade.
Aliás, se a austeridade tem começado por aí e se, alguma coisa, tivéssemos a pagar, o congelamento de contas bancárias, julgamentos e prisões de quem fosse culpado, permitiria que aceitássemos melhor alguns sacrifícios. Ministros, ex-ministros, secretários de Estado, familiares e amigos, o próprio presidente da República, são acusados de desonestidade nesse material que circula abundantemente pela rede. Verdade? Calúnia? Não fazemos eco dessas acusações, pelo contrário, gostaríamos que se esclarecessem as coisas. Este relatório é uma mistificação, mesmo que espelhe a verdade – é uma manobra política e de nada servirá. Não é a ponta de um iceberg, mas sim poeira que nos atiram para os olhos.
Quem nos governou? Quem nos governa? Quem temos no Palácio de Belém? Perguntas que necessitam de respostas. Em relatórios sérios, isentos.