RESPOSTA DE PEDRO DE PEZARAT CORREIA A CARLOS LEÇA DA VEIGA
carlosloures
Comentando o artigo de Pedro de Pezarat Correia, “Pastas e Postas” (Giro do Horizonte) publicado na passada segunda-feira, o argonauta Carlos Leça da Veiga publicou o seguinte comentário:
«O Homem não vai aceitar resignar. A movimentação popular, também, não conseguirá esse desiderato. Que tal, pergunto eu, as Chefias dos três ramos das Forças Armadas irem a Belém e, com toda a justeza, pronunciarem-se no sentido duma demissão. À população, por muito que muitos não queiram, ou, sobretudo, não lhes convenha, só resta incentivar as Forças Armadas a salvarem a Democracia em Portugal.
CLV
Resposta de Pedro de Pezarat Correia
«Amigo Carlos Leça da Veiga
Compreendo as suas angústias e esperanças mas, para além da ilegitimidade de qualquer intervenção militar em democracia, está o meu Amigo absolutamente confiante que uma hipotética intervenção das chefias militares, hoje, seria no sentido de salvar o essencial da democracia: eleições livres, liberdade de expressão, liberdade de reunião, liberdade de manifestação, liberdade sindical, direito à greve, etc. etc. etc.? Pelo contrário eu receio que, a fazerem-no, será numa conjuntura de grande agitação social, visando repor a “ordem” nas ruas, a “normalidade” nas empresas, a “autoridade” do Estado, o “respeito” pelas instituições.
Já aqui escrevi que hoje, as condições em Portugal se assemelham muito mais ao fim da I República do que ao estertor do Estado Novo e, por isso, uma intervenção militar seria muito mais do tipo do 28 de Maio do que do 25 de Abril.