POESIA AO AMANHECER – 247 – por Manuel Simões
13 anos ago
ANTÓNIO LUÍS MOITA
( 1925 )
EXORTAÇÃO
Ficar de fora é que não é connosco.
Agora, Poesia, ou tudo, ou nada!
Que terra domará a velha enxada
sem o vivo suor do nosso rosto?
Que faremos – poetas desta Hora –
isolados e tristes, na cidade?
É pecado cruel ficar de fora!
E quaisquer dez minutos de demora
serão bastantes para ser já tarde!
Exigem nossos braços que façamos
com eles uma árvore concreta:
tronco de fé unindo vários ramos
com frutos, frutos na manhã deserta!
E folhas! Folhas verdes! Tão felizes!
Folhas de sol, fixando o sangue interno
que nasce no invisível das raízes!
– É preciso rasgar as cicatrizes!
Crescer em pleno Inverno!
(de “Sal”)
Co-fundador e director de “Árvore”. Antologiado em “Poesia Portuguesa do Pós-Guerra. 1945-1965” (1965). Publicou, entre outros títulos, “Rumor” (1951), “Teoria do Girassol” (1956), “Sal” (1962.