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AS MEDIDAS DO RELATÓRIO SOBRE O IRC FAVORECEM PRINCIPALMENTE OS GRUPOS ECONÓMICOS. Por EUGÉNIO ROSA – III

(continuação)

A EROSÃO DA BASE FISCAL EM PORTUGAL, A MULTIPLICAÇÃO DE BENEFÍCIOS PARA AS GRANDES EMPRESAS E PARA OS GRUPOS ECONÓMICOS, O DISPARAR DO DÉFICE ORÇAMENTAL E MAIS IMPOSTOS PARA OS PORTUGUESES

A erosão da base fiscal, que está a determinar uma quebra muito grande nas receitas fiscais dos Estados, é uma das grandes preocupações de muitos governos e de organismos internacionais como a OCDE e o FMI (vejam-se os últimos estudos e propostas destas entidades feitas a pedido do G20). No entanto, parece não ser a preocupação da Comissão e do governo que a nomeou, pois o Relatório Final segue numa direção oposta.

Como mostramos a redução da taxa nominal do IRC beneficia fundamentalmente as grandes empresas e, entre estas, grupos económicos. No entanto, os benefícios mais importantes constantes do Relatório Final para as grandes empresas e para os grupos económicos não se limitam apenas à redução da taxa nominal de IRC. Eles resultam de uma série alterações importantes, muitas delas cirúrgicas, nas leis fiscais que os media não falam e têm passado despercebidos à opinião pública. No fim deste estudo, num anexo procuramos resumir as alterações mais importantes e seus efeitos para uma fácil leitura, pois o relatório é denso e tem 198 páginas. Neste ponto apenas chamaremos a atenção, de uma forma muita resumida, para as alterações mais importantes que são as seguintes:

Segundo os cálculos da Comissão de Lobo Xavier, a reforma do IRC determinaria um perda de receita fiscal avaliada em 1.769,7 milhões €/ano, a que se teria de deduzir uma aumento de receita fiscal de 109,1 milhões €, o que determinaria uma perda líquida de 1.660,5 milhões € de receita/ano. No entanto, e como referimos existem muitas medidas que determinarão inevitavelmente uma perda importante de receita que a Comissão foi incapaz de calcular ou não lhe interessou calcular. É evidente que para compensar esta elevada quebra na receita, que beneficia fundamentalmente os grupos económicos, teriam de ser lançados mais impostos sobre os trabalhadores e pensionistas (ex. subidas no IVA, IMI, etc.)

Uma outra conclusão importante que se tira da simples comparação das medidas defendidas pela Comissão com as disposições da lei fiscal atual, é que elas se orientam principalmente com o objetivo de beneficiar as grandes empresas e os grupos económicos, reduzindo ainda mais os baixos impostos que pagam. Outra coisa não seria de esperar quando se nomeia como presidente da Comissão um homem da confiança dos grupos económicos, que é  membro dos corpos sociais de alguns desses grupos, sendo claro o conflito de interesses que só o próprio, e quem o nomeou, não vê. O próprio Relatório Final e as suas propostas confirmam também isso. E para além de Lobo Xavier existem na Comissão mais membros em que o conflito de interesses também é claro, por isso um Relatório com estas características e propostas era previsível.

Eugénio Rosa, edr2@netcabo.pt, 7.8.2013

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A parte II deste trabalho foi publicada ontem em:

http://aviagemdosargonautas.net/2013/08/09/as-medidas-do-relatorio-sobre-o-irc-favorecem-principalmente-os-grupos-economicos-por-eugenio-rosa-ii/

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