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O FOLHETIM – AS RAZÕES SOCIO-CULTURAIS DO SEU APARECMENTO

Dentro de dias revelaremos quando começaremos a publicar o nosso primeiro folhetim. O autor, já o sabemos, é Sérgio Madeira. O romance terá um título curioso – A ESTUPIDEZ É UM CÃO FIEL. Por hoje, vamos continuar a falar sobre a história do folhetim.

 O folhetim surgiu num clima social efervescente. As classes trabalhadoras pretendiam ocupar um lugar preponderante no palco da História. Surgiu e ganhou estatuto no período que se seguiu à revolução de 1789 e foi-se instalando e aperfeiçoando até à Comuna de Paris. E é por esses anos de 1870 que em Portugal atinge o apogeu. Não haveria jornal por essa altura que não tivesse o seu folhetim. Ocupando geralmente a parte de baixo das páginas, a toda a largura era, na gíria jornalística, designado por o «rés-do-chão».

A convicção de que a cultura era um bem essencial e de que os mais desprotegidos deviam ter a ela acesso, ganhava terreno – e o primeiro passo era aprender a ler e a escrever. Portugal tinha uma taxa de analfabetismo que rondava os 80% Em partidos, associações corporativas, grupos desportivos,   sociedades de recreio, havia um esforço generalizado de participar na batalha cultural, constituindo bibliotecas, organizando palestras e ensinando a ler. Nas famílias pobres, um elemento que frequentasse a escola era mobilizado para ler ou soletrar as notíicias dos jornais. E para ler romances, livros ou folhetins, nos serões. Muitas vezes era o mais novo, criança ainda, cambaleante de sono, que satisfazia a curiosidade de pais, avós, tios…  Às gentes das classes mais pobres, não sobrava dinheiro para livros. O jornal era um luxo cultural barato. Era uma janela aberta para o vasto mundo – Notícias de todas as partes do planeta, receitas de culinária, mesinhas, curiosidades… e, no rés-do-chão, folhetins.

 Amanhã abordaremos a descendência, a linhagem, a que o folhetim deu lugar.

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