Como anunciámos, começamos em breve a publicação de romances em folhetins. Um colaborador aceitou escrever um romance seguindo as regras básicas do folhetim – capítulos curtos, linguagem ágil, tentando que cada capítulo termine de forma misteriosa, para agarrar o leitor e o levar a ler o episódio seguinte. Se alguém lhe quiser seguir o exemplo, teremos prazer em publicar outros folhetins após o de Sérgio Madeira. Antes de iniciarmos a publicação, continuaremos, em breves notas, a falar sobre a história do folhetim.
Júlio César Machado foi um dos grandes impulsionadores da implantação do folhetim na imprensa oitocentista portuguesa. Foi através das suas crónicas, editadas sob a forma de folhetim, que o folhetim ganhou foros de categoria jornalístico-literária respeitável. Sobretudo entre 1850 e 1890, Júlio César Machado, jornalista ligado ao teatro, escreveu crónicas em A Revolução de Setembro e no Diário de Notícias, que dão conta da evolução que em quatro décadas se deu, quer no teatro, quer na própria sociedade lisboeta e nacional. Mas foi O Mistério da Estrada de Sintra, romance da autoria de Eça de Queirós e de Ramalho Ortigão, publicado no Diário de Notícias em folhetins sob a forma de cartas anónimas, entre 24 de Julho e 27 de Setembro de 1870. O livro foi publicado em 1884. Mais tarde, já no século XX, Reinaldo Ferreira, o famoso Repórter X, usou a técnica do folhetim para narrar, como se fossem reportagens, o desenvolvimento dos seus casos de crimes ou as suas entrevistas com gente importante e conhecida. Crimes e entrevista, saídos da sua imaginação.