Segundo Nuno Crato, ministro da Educação e Ciência, a língua inglesa significa o desenvolvimento de negócios em Portugal, o desenvolvimento da indústria portuguesa, com vista à exportação ou pura e simplesmente à comunicação internacional. Portanto, dir-se-á, vai aumentar a carga horária no ensino de disciplina tão essencial? – Errado! – O ministro acabou com a obrigatoriedade do inglês nas Actividades de Enriquecimento Curricular do 1º ciclo.
Antes de os homens falarem diversas línguas, diz-se no Génesis, estavam a edificar, algures na Mesopotâmia, uma torre que iria chegar ao céu, glorificando a superioridade do ser humano. Jeová, ao tomar conhecimento da iniciativa, desceu à Terra e foi inspeccionar a obra (terá posto o capacete de protecção?). E, talvez preocupado, com a possibilidade de que o seu território fosse invadido pelos filhos dos homens, tomou a decisão de multiplicar as linguagens para que, não se entendendo uns aos outros – pedreiros, trolhas, serventes, engenheiros civis, arquitectos paisagistas, mestres de obra – a balbúrdia fosse tão grande que a torre não pudesse ser construída. Mais ou menos isto. A torre não se construiu.
Para contornar esta dificuldade criada por quem supostamente existe para nos ajudar a superar dificuldades, os homens foram usando as chamadas línguas francas. Para não andarmos muito para trás, lembremos o latim que, durante séculos foi usado no mundo dito civilizado como idioma internacional. O francês desempenhou essa função durante algum tempo. Recorde-se que D. Filipa de Lencastre se exprimia em francês, a língua da corte inglesa Honni soit qui mal y pense, lema da Ordem da Jarreteira, é uma expressão francesa que significa Envergonhe-se quem nisto vê malícia. (Saltamos a história da liga e da Ordem da Jarreteira). Depois, veio o inglês, primeiro como língua de negócios, mantendo o francês a sua primazia como língua de cultura e diplomática. Actualmente, o inglês domina inteiramente e deve ser por isso que Jeová já nem se atreve a vir fiscalizar as obras dos filhos dos homens… e das mulheres. Delegou tal função nos Estados Unidos…
O ministro Nuno Crato não deve ter consultado nem Jeová nem Obama – por um lado, acabou com a obrigatoriedade do inglês no o 1º ciclo, por outro lado haverá uma prova de inglês no 9º ano. A avaliação estará a cargo da Universidade de Cambridge e será patrocinada pelo BPI, por uma editora de livro escolar e por uma empresa de tecnologias de informação. O certificado custa 20 euros.