Nasci no fim dos anos 60 do século XX, quando comecei a estudar línguas estrangeiras, ainda nos anos 70, o francês era de longe a segunda língua usada em Portugal no ensino, mas também para comunicar com os estrangeiros que nos visitavam ou quando nos deslocávamos ao estrangeiro para além dos Pirenéus. Era também a língua culta usada nas universidades e nas Chancelarias portuguesas espalhadas pelo mundo.
Nessa época, o inglês era claramente a terceira língua ensinada em Portugal, tive 7 anos de francês na escola pública e apenas 3 de inglês, os professores de francês estavam claramente melhor preparados que os de inglês, pelo que o ensino do francês era melhor que o do inglês.
Comecei a ler em inglês no ensino superior, porque escolhi uma área de engenharia electrónica, onde grande parte da bibliografia era em inglês, mas já adulto, em meados dos anos 80.
Falar inglês e espanhol só o comecei a fazer a partir dos anos 90, quando comecei a viajar, e profissionalmente já no século XXI, com o advento da globalização.
Assisti à transição do francês para o inglês em Portugal, como segunda língua e língua franca, com grande aceleração a partir dos anos 90, consumada na primeira década do séc. XXI.
Mas porque falamos inglês se os nossos vizinhos falam espanhol, os nossos principais parceiros de negócios falam espanhol, francês, alemão e português e no espaço lusófono o francês e o espanhol são mais importantes que o inglês, à excepção de Moçambique e territórios no Índico?
Porque o projecto sempre foi ideológico, não se baseia em qualquer critério económico ou racional, o imperialismo dos EUA propagou-se também pela via da língua, do seu poderoso soft power, da imposição da sua ideologia aos parceiros europeus, do neoliberalismo no consulado Thatcher/Regan. Chegados aqui, não nos podemos admirar que psicopatas como Trump, Musk e outros oligarcas pouco recomendáveis tenham tanta influência sobre nós como a que detêm actualmente, sobretudo sobre os jovens que são mais vulneráveis à propaganda desenfreada que esses oligarcas veiculam através das redes sociais que controlam.
Para nos libertarmos deste jugo ideológico temos que nos libertar do inglês, que devia ser relegado para terceira ou quarta língua no ensino, mais de acordo com a sua efectiva importância económica e social, e esta questão devia também abranger a União Europeia. Faz algum sentido o inglês ser a língua franca da UE quando é apenas a primeira língua de um pequeno pais com menos de 5M de habitantes?
PS:
Exportações portuguesas, principais mercados (fonte AICEP 2023):
- Espanha;
-
França;
-
Alemanha;
-
EUA;
-
Reino Unido;
-
Itália;
-
Países Baixos;
-
Bélgica;
-
Angola;
-
Polónia;
Importações portuguesas, principais origens (fonte Eurostat 2021):
-
Espanha;
-
Alemanha;
-
França;
-
Países Baixos;
-
Itália;
-
China;
-
Bélgica;
-
Reino Unido;
-
Brasil;
-
EUA;

