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POESIA AO AMANHECER – 297 – por Manuel Simões

poesiaamanhecer

JOÃO RASTEIRO

( 1965 )

EXALTAÇÃO DOS DIAS

O que sei de cada dia

ou de um corpo intacto

o vazio e puro silêncio entre a areia e a água

os múltiplos reflexos do incesto

é a sombra e o sonho

pousados no doce mas forjado mármore

que dedos trémulos reúnem

no coração da pedra que não sonha nada.

A cor dos dias nas árvores

em frágeis dedos de espuma,

uma só linha os conduz

na embriaguez do verbo vegetal

parede crua de fogo

onde difícil aprendo a arte do silêncio.

(de “No Centro do Arco”)

Poeta e ensaísta. Antologiado em “Cânticos da Fronteira / Cánticos de la Frontera” (2005). Obra poética: “A Respiração das Vértebras” (2001), “No Centro do Arco” (2003), “Os Cílios Maternos” (2005), “O Búzio de Istambul” (2008), “Pedro e Inês ou As Madrugadas Esculpidas” (2009), “Diacrítico” (2010), “A Divina Pestilência” (2011).

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