POESIA AO AMANHECER – 284 – por Manuel Simões carlosloures10 de Setembro de 20139 de Setembro de 2013Geral Navegação de artigos PreviousNext JOSÉ EMÍLIO-NELSON ( 1948 ) ROMAN PHILOSOPHIQUE (1) Conheci um homem que quando começava a pensar «perdia a cabeça». Eleva-a pelos ingénuos azuis do céu (… se os pensamentos fossem grandes pensamentos). A cabeça estatelava-se ao pensar coisas rasteiras. As pernas rodopiavam no seu descaramento, por si próprias, pensando pela primeira vez. A cabeça teimava em pensar por si, E como o pensar tem altos e baixos, O homem empalidecia, esvaziava-se até entrar numa letargia. Ao adormecer visitava-o o mesmo pesadelo que o revelava perpetuamente ligado ao corpo inerte (que «só assim lhe obedece»). E com tanto pensamento medíocre a cabeça mirrou. Cabeça mirrada num corpo obediente: o homem soergueu-se e Jurou não mais pensar para «preservar a obediência». (de “Bibliotheca Scatologica”) Economista e poeta. Da sua obra poética: “Polifonia” (1979), “Noite Poeira Negra” (1982), “Extrema Paixão” (1984), “Queda do Homem” (1988), “Claro Escuro ou a Nefasta Aurora” (1992), “O Anjo Relicário” (1999), “Arabesco” (2003), “Bibliotheca Scatologica” (2007). Share this: Share on Facebook (Opens in new window) Facebook Share on X (Opens in new window) X Share on LinkedIn (Opens in new window) LinkedIn Share on WhatsApp (Opens in new window) WhatsApp Email a link to a friend (Opens in new window) Email More Print (Opens in new window) Print Like this:Like Loading…