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EDITORIAL – COMO É POSSÍVEL?

A ausência de um pensamento crítico, generalizado e actuante, naquilo a que se costuma chamar a «opinião pública», conduz a aberrações que em democracia são inaceitáveis. Não é um mal que afecte apenas a democracia portuguesa. A começar no «coração do império», vemos que a sociedade norte-americana, onde existem mentes brilhantes, cérebros privilegiados, é a mentalidade obscura e tacanha dos falcões do Pentágono e da indústria armamentista  que predomina. Na Europa, fenómenos como o de Berlusconi ilustram à saciedade uma evidência – em democracias formais, os cidadãos, podendo escolher livremente, optam quase sempre pelo pior. Desde que o pior seja devidamente publicitado. Não afecta só a nossa democracia – mas é essa que mais nos preocupa.

Já aqui temos falado sobre o papel deletério do marketing – um produto alimentar potencialmente cancerígeno, quando divulgado por uma campanha publicitária com spots bem engendrados, vende mais do que um produto saudável e de composição higienicamente impoluta. Em marketing designa-se por “qualidade técnica” a que designa o valor real do produto e por “qualidade percebida” a que se refere à imagem que o produto tem no mercado.

Em Portugal, a ausência de pensamento, levou-nos durante 50 anos a aceitar uma ditadura fascista e leva agora pessoas inteligentes a aceitar como normais todas as anormalidades que transformam a nossa democracia representativa num novo fascismo – ou seja, numa oligarquia conduzida por trafulhas que deviam estar bem guardados em presídios.. A “vitória do PS” e a subida da CDU, não convencem. O exemplo de Oeiras é elucidativo, com um Paulo Vistas que não se sabe quem é, a ganhar por ter sido apadrinhado por um Isaltino que toda a gente sabe quem é. É apenas um exemplo de como a aldrabice compensa. De como a qualidade percebida triunfa sobre a qualidade técnica.

Como é possível?

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