CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – MAS NÃO HAVERÁ ALTERNATIVA A ESTE SISTEMA DEMOCRÁTICO? – por Mário de Oliveira

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Porque havemos de resignar-nos a viver no pior dos regimes, à excepção de todos os outros, a chamada democracia? São assim tão mesquinhas, as nossas aspirações? Não somos capazes de mais e melhor? O que impede de darmos o salto qualitativo em frente, concretamente, passarmos de animais racionais, movidos pela fome/sede do poder, a seres humanos vasos comunicantes, movidos pela inteligência cordial, geradora de afectos, e pelo sopro maiêutico, o único que faz dos múltiplos povos um só povo com voz e vez, organismo vivo, à escala planetária, em que cada uma, cada um se experimenta estimulado, de dentro para fora, a dar tudo de si aos demais, segundo as suas capacidades, e a receber dos demais, segundo as suas necessidades? Utopia? Ainda não percebemos que é a imensa minoria dos chico-espertos, instalados nos múltiplos tronos e altares, que insiste em classificar de utopia, a via política mais inteligente e mais sábia para sermos um povo de povos felizes, fundado na verdade, na justiça, na sororidade/fraternidade, na liberdade, porque ininterruptamente alimentado pelos afectos, o verdadeiro pão que nos faz seres humanos a crescer de dentro para fora? Desconhecemos que, no princípio, antes do big-bang, era já este Projecto político maiêutico? Que foi para que este Projecto se tornasse realidade, poema e polifonia vivos, que, há mais de 13 mil milhões de anos, aonteceu o big-bang e, com ele, o universo, ainda em expansão? Que, a partir de então, a evolução nunca mais parou, graças ao sopro maiêutico com que anda ininterruptamente animada, de dentro para fora, até chegar a nós, seres humanos, os únicos que temos consciência de todo este espantoso processo, e que todo ele aconteceu para que nós acontecêssemos? Cabe-nos, pois, fazer a diferença, ser verdadeiramente o que somos, e dar corpo a este projecto. Todo o universo espera que nos assumamos na história como o que intrinsecamente somos, corpos consciência, corpos afecto, corpos maiêutica, corpos política praticada, corpos vasos comunicantes, definitivamente, para lá da etapa infantil da humanidade, a única etapa histórica em que há lugar para intermediários, sacerdotes, religiões, chico-espertos, numa palavra, poder. O quê e quem impedem de darmos este passo para o humano pleno e integral?!

24 Setº 2014

 

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