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EDITORIAL – AMANHÃ, EDIÇÃO DEDICADA À CONDIÇÃO FEMININA

Imagem2Amanhã a nossa edição é inteiramente dedicada à   mulher e à luta pela igualdade de géneros. E escolhemos homenagear uma mulher, um ser humano de grande qualidade intelectual – Hannah Arendt, que nasceu em 14 de Outubro de 1906. Não optámos por um ícone do feminismo, mas por uma  pessoa cuja obra a qualificaria sempre como um ser de excepção.   Isto, apesar das contradições que lhe são apontadas, como, por exemplo, a de,   sendo judia, se ter relacionado sentimentalmente com Martin Heidegger, um dos   filósofos em que os nazis  apoiaram a   sua torpe argumentação. Não esqueçamos, porém. que Heidegger inspirou pensadores como Sartre e que as cedências ao totalitarismo hitleriano foram feitas (tiveram de ser feitas) por todos os que não abandonaram a Alemanha durante a vigência do III Reich. Mas falemos de Hannah Arendt,.

Homo Sapiens, é a classificação  dada à nossa espécie que, por vezes, mais justificaria a   de Homo ignarus. Independentemente do seu sexo, são pessoas como Arendt que enobrecem a Humanidade usando o   cérebro para pensar, para criar conceitos límpidos e potenciadores da  inteligência. A forma mais eficaz de defender a igualdade da mulher perante a   lei é provando, como o fez Hannah Arendt, a sua capacidade plena de pensar. Não era uma feminista radical – o   radicalismo feminista constitui, a nosso ver, o maior inimigo daquilo que   pretende defender – do mesmo modo que o fundamentalismo islâmico faz o jogo   dos inimigos da liberdade palestiniana, o feminismo radical faz o jogo dos sexistas. Integrismos, radicalismos, projectam para o palco mediático do presídio global a imagem que os detractores procuram impor. É o que se chama fazer o jogo do inimigo.

O conceito de pluralismo político como força   geradora de democracia, ajusta-se ao que aqui praticamos e defendemos, dando voz a   diferentes modos de entender a liberdade democrática. Sabendo que além da nossa verdade, existe a verdade do Outro.  Arendt defendeu também   a democracia directa, apoiada em conselhos ou assembleias populares,   recusando a democracia representativa que, mais não é do que  uma nova forma totalitária de governação –   baseada na mentira sistemática. Um sistema oligárquico em que a mentira á a ilusão   ao governado de que participa nas decisões. Disse ela: «As mentiras sempre foram consideradas instrumentos necessários e legítimos, não somente do ofício do político ou do demagogo, mas também do estadista».

Nem mais.

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