A ADOLESCENTE E A GRAVIDEZ PRECOCE por clara castilho
clara castilho
A gravidez na adolescência define-se, segundo a Organização Mundial de Saúde, como a gestação que ocorre entre os 10 e os 19 anos de idade. A existência de riscos durante a gravidez em idades precoces é muito superior, havendo uma intensificação das perturbações emocionais e da negação da gravidez.
Podemos dizer que há uma relação entre este facto e as classes sociais? De facto, encontram-se grávidas adolescentes em todos os estratos sociais, mas vários estudos apontam para que ocorra em maior percentagem nos meios sociais mais desfavorecidos. A isto se associa famílias disfuncionais (pais ausentes ou separados), e alguns ambientes de risco, como a promiscuidade sexual ou abuso de drogas.
Pode também encontrar-se uma correlação entre a baixa escolaridade, a imaturidade psicológica, a iniciação sexual precoce e o desconhecimento sobre saúde reprodutiva e contracepção.
Mas o que se passa na sociedade actual em termos de relações pais-filhos? Actualmente, a criança passou a ter outro estatuto, com a implementação dos seus direitos e penalização em caso de não aplicação. Os pais mostram dificuldade no exercício das suas responsabilidades parentais, as normas educativas são diferentes, as relações entre gerações divergem, em suma, o panorama do meio familiar é tem outro contorno. Adiou-se a conjugalidade, há uma atitude menos repressiva face às relações sexuais fora do casamento que influenciaram a diminuição da idade de início da vida sexual. Para além disso a escolarização aumentou em número de anos mas a resposta em termos de emprego tem sido difícil, daí que os filhos nunca mais saiam de casa dos pais… Assim, os filhos ganharam autonomia, mas não são auto-suficientes economicamente.
Deste modo, a gravidez na adolescência pode ser vista como um facto social indicativo dos paradoxos e tensões inerentes à socialização dos adolescentes.
Quando ocorre uma gravidez numa jovem adolescente, este trajecto “normal” para os outros, fica desequilibrado. Vai ser mãe, ter essas responsabilidades, ao mesmo tempo que quer, e tem direito a isso, continuar com o seu percurso previsto. E toda a relação entre sistemas fica alterada. Por exemplo, pode continuar a ir à escola e estudar, ao mesmo tempo que tem que cuidar do seu filho.
É de frisar que os riscos não são só para as mães adolescentes para também para as crianças que nascem nessas circunstâncias.
Sabe-se que a maioria dos adolescentes não planeia, deliberadamente, engravidar, muitas vezes está inserida num contexto de uma relação pré-nupcial, vindo trazer esse desfecho. Muitas vezes as jovens conhecem os métodos anticonceptivos, usaram-nos mas acabaram por ser imprudentes.
E quanto à vivência da gravidez, pode dizer-se que uma grávida adolescente a vivencia da mesma forma que uma mulher adulta que a planeou? Não. E qual irá ser a sua competência materna? Verifica-se que as jovens que sentem maior apoio familiar e social, conseguem melhor desempenhar o seu papel. Também as memórias que têm da relação que tiveram com as suas próprias mães vêm desempenhar grande importância, dado estas poderem servir como modelos a seguir.
Muitos dados para reflectir se quisermos actuar na prevenção destas situações.