Site icon A Viagem dos Argonautas

Novas Viagens na Minha Terra – Série II – Capítulo 121 – por Manuela Degerine

 Quilómetro 78

A maioria dos roteiros desaconselha agora a passagem por Vilarinho pois o albergue continua sujo, incerto e desconfortável, mas sobretudo: os últimos quilómetros da etapa são perigosos. Eu caminho aqui hoje pela quarta vez tendo sempre clamado que era a última… Em 2010 chovia a potes. Em 2011 fazia um calor de derreter o alcatrão. Em 2012, embora o tempo não estivesse mau, era domingo de Páscoa e, talvez por isso, talvez por outra razão, havia demasiados carros nesta sinistra N306.

Hoje é sábado, passam poucos camiões, valha-me isto, na zona industrial da Maia só vi varredores, o tempo é perfeito, sol e frescura, portanto o caminho parece-me menos feio, mais curto até, alcanço uma média de 4,6 quilómetros à hora, o que estando carregada e tendo parado duas vezes é para mim rápido. No entanto os últimos quilómetros antes de Macieira da Maia (Vilarinho) não mudam, qualquer que seja o dia, a festa, o tempo, o evento, o meu estado de espírito, a minha preparação física… A estrada continua estreita e sem berma, enrola-se como uma cobra, por vezes entre muros, tem demasiadas curvas e demasiados carros, os quais não respeitam os limites de velocidade, manifestam desprezo evidente pelos peões… Vários me passam a poucos centímetros após uma guinada no último instante e bastaria outro carro em sentido contrário para eles não arriscarem.

O grau de civilização mede-se pelo valor atribuído à vida humana. Ora aqui ele é muito baixo… Consigo chegar viva ao quilómetro 78.

Exit mobile version