POESIA AO AMANHECER – 310 – por Manuel Simões
13 anos ago
MAURÍCIO GOMES
( 1920 – ? )
EXORTAÇÃO (fragmento)
Ribeiro Couto e Manuel Bandeira,
poetas do Brasil,
do Brasil, nosso irmão,
disseram:
“ – É preciso criar a poesia brasileira,
de versos quentes, fortes, como o Brasil,
sem macaquear a literatura lusíada”.
Angola grita pela minha voz,
pedindo a seus filhos nova poesia!
Deixemos moldes arcaicos,
ponhamos de lado,
corajosamente,
suaves endeixas,
brandas queixas,
e cantemos a nossa terra
e toda a sua beleza.
Angola, grande promessa do futuro,
forte realidade do presente,
inspira novas ideias,
encerra ricos motivos.
É preciso inventar a poesia de Angola!
[…]
Uma poesia nossa, nossa, nossa!
-cântico, reza, salmo, sinfonia,
que uma vez cantada,
rezada,
escutada,
faça toda a gente sentir
faça toda a gente dizer:
– É poesia de Angola!
(de “Antologia de poesias angolanas”)
Talvez de maneira incipiente, por volta de 1950, revelou-se poeta influente na criação de uma autêntica poesia angolana. Foi incluído em várias antologias, entre as quais na “Antologia de poesias angolanas” (1958).