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UM EX-PRIMEIRO MINISTRO DE FRANÇA AO SERVIÇO DA CHINA, por FLORENCE DE CHANGY

Selecção, tradução e nota introdutória por Júlio Marques Mota

 

Nota introdutória – Um ex-primeiro ministro de França ao serviço da China

Depois de sermos assaltados por todos os lados no que se refere à indústria, depois de eliminados os mecanismos que garantiam uma agricultura de proximidade, depois de começarmos a perder terreno nos serviços, eis-nos agora a ser  notados por uma empresa de rating chinesa. E mais grave do que isso, lembram-se do caso Catroga, que se autoproclamava de  grande gestor e por isso o preço que os chineses lhe ofereciam? Lembram-se. Pois bem, aqui temos um outro caso, de uma outra qualidade, o ex-primeiro ministro de França ao serviço de uma empresa de rating da China.   E a ser expressão dos interesses chineses. Homem de uma rara cultura, pelo menos em políticos, é  degradante vê-lo rastejar por dinheiro, a defender em Hong-Kong is interesses financeiros da China! Fica-se a saber  que há um comité internacional de peritos, que será logicamente de alto gabarito e tão alto quanto os ordenados que irão receber.   A intelligentsia europeia e americana, talvez, ao serviço dos interesses do Império do Meio. Simples, portanto, os políticos europeus desta época neoliberal continuam disponíveis e à venda pelo melhor preço, porque o dinheiro, esse, não tem pátria. E a União Europeia o que diz de tudo isto? Simplesmente nada, aprova.

Júlio Marques Mota

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Villepin defende uma nova ordem económica… por conta de uma agência chinesa

 

 Florence de Changy, le Monde

Sabíamos que era um homem político, historiador, diplomata, poeta e advogado de negócios.  Dominique de Villepin apresentou-se  em Hong Kong como economista… e revolucionário. Na quinta-feira, 10 de Outubro, em frente de uma plateia  de banqueiros e jornalistas que se reuniram no Foreign Correspondent Club de Hong Kong, o ex-primeiro ministro francês apelou a que se criasse um mundo justo, “equilibrado”, “onde haja  lugar para a prosperidade para todos”. Antes de chegar a esta conclusão, Villepin reclamou a abolição dos privilégios de que beneficiam os países ocidentais, uma forma velada de visar os Estados Unidos e a sua rotativa a imprimir dólares,  dólares estes  impressos para pagar uma dívida crescente.

De acordo com Villepin, existem três motivos para a instabilidade global. Três privilégios. Em primeiro lugar, o controle da moeda e o dólar, que rege a maior parte do comércio mundial. “A América  tornou-se o grande devedor do mundo, com a diferença de que com excepção das famílias, ela não tem sequer de pagar.” A seguir, o controlo  das  regras do jogo. E como o lembra  Dominique de Villepin, “é mais fácil ganhar  quando se tem o poder de decidir as regras do jogo  e de as mudar de acordo com as necessidades”.  O terceiro privilégio é o controle dos riscos. “Decidir o que é arriscado e aquilo que o não é, é a mesma coisa que estar a decidir a partir daí para onde vai ou não vai o dinheiro .” E Dominique de Villepin lembra que o mercado de agências de rating é em 96% controlado pelos Estados Unidos com a quasi-triopólio que representa a  Moody, Standard e Poors e Fitch.

“O INÍCIO DE UMA REVOLUÇÃO MUNDIAL”

De acordo com Villepin,  as coisas não se repuseram ainda em ordem, desde a crise de 2008. E a nova crise que se anuncia,  “um camião carregado de dinamite que chega a toda velocidade”, não é outra coisa senão  “o início de uma revolução mundial”. O mundo deixa de poder continuar a viver  a crédito. A dívida global – que incluiu  a dívida privada, a dívida das empresas e das famílias, e a dívida dos Estados..—chega  hoje a 200 milhões de milhões de dólares (cerca de 150 milhões de milhões de euros), “três vezes a produção anual do mundo”. Portanto, é necessário criar  uma nova ordem económica mundial com novas instituições, com um cabaz de moedas e de novas agências de rating. ‘News’ implicitamente significa  ‘honestas’.

O homem parecia tão sincero na sua  nobre cólera que cada um de nós  quase se esquece que ele está ali verdadeiramente para fazer a promoção dos seus novos patrões, UCRG (Universal Credit Rating Group), uma agência de crédito “universal”, dependente da primeira agência de rating chinesa, Dagong Global Credit rating, autorizada na  Europa desde Junho.  Dagong tinha-se feito notar no seu início em 2010 ao ousar dar uma nota bastante má à divida americana,  que ela avaliou ao memso nível da  dívida espanhola. Dominique de Villepin acaba de ser nomeado desde “há 24 Horas”,  Presidente do Comité Internacional de Conselheiros de UCRG.

Embora um dos  seus filhos, viva  e trabalhe  em Hong Kong,  o “sans-culottes” Dominique de Villepin diz não pretender aqui viver. Ele simplesmente virá aqui ‘uma vez por mês’. Para monitorar e apoiar a revolução, do topo de sua torre, em pleno  centro, entre o antigo e o novo edifício do Banco da China.

Florence de Changy, M. Villepin défend un nouvel ordre économique… pour le compte d’une agence chinoise, Le Monde.

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