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MARIA MALMEQUER – por MARGARIDA RUIVACO

Um Café na Internet

Se Maria acorda cedo, porque hão-de os outros ter sono, ou preguiçar na cama? Provavelmente, pela mesma razão insatisfatória com que querem acordar cedo, quando ela precisa, necessita, quer ficar deitada até o corpo lhe doer de estar na cama.

Se Maria tem ganas de sair e correr ao sol ou  à chuva, porque não hão-de correr atrás delas, arrastando o saco ou o chapéu, batendo palmas e incentivando a cada passada mais rápida?

Se Maria deseja cantar, seja de dia ou de noite, porque hão-de mandá-la calar os que se atreveram a dar um espirro a dois quilómetros de distância no seu momento Zen?

Se Maria tem fome, coma-se! – o que Maria gosta, é obvio -,mas se alguém pretender comer fora dessa hora, que espere pela hora de Maria.

Se Maria tem falta de ar, anseia pelo sol e café na esplanada, ai de quem desejar um leite morno no conforto do sofá .

Se Maria manda, é para se obedecer. Se Maria é mandada, questiona o porquê.

Se Maria se diverte, é divertido, não é? Se Maria de enfastia, não tem interesse para ninguém.

Quando Maria engole um sapo, arrota bem alto, para que todos saibam. E iniciem a espera agonizante pelo minuto em que ela o vomitará em cima de todos.

Daí que Maria seja rainha de uma corte assustada, e viva sozinha no meio de tanta gente. Todos errados. Ela não.

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