MARIA PUREZA – por MARGARIDA RUIVACO

Um Café na Internet

Não podes sair assim.

A saia está curta. O vestido é decotado. A blusa é transparente.

A cueca deixa vinco no rabo. O soutien está descaido. Devias por uma cinta.

Esse baton está demasiado vivo. Os olhos estão muito carregados. Não sei o que pareces com essa pintura.

Não sei porque vais aí. Não parece próprio para ti. Não percebo como podes gostar.

Tens a certeza? Conheces assim tão bem? Parece-te assim tão sério?

Não gosto do ar dele. Aqueles dentes não enganam ninguém. Olha só para aqueles trajos. Pelo andar da carruagem se vêm quem vai lá dentro. Não sei o que vês nele.

É  guardiã das virtudes das outras.

Guarda as das outras, porque  as suas, sabe lá por onde andam, tão mal perdidas que foram. Não que se importe. Mas quer prolongar o sabor bom de momentos obtusos e disparatados.  Como se outras saboreando, sobre menos para si.

Leave a Reply